Quanto evitar um problema significa resolver

Há questões na vida construídas de tal forma que a abordagem direta se torna inviável. Exemplo: a pessoa perdeu alguém que ama e tratar diretamente desta perda é insuportável para a pessoa. Não existe um modo direto e óbvio de tocar no assunto com ela.

No consultório esta manifestação aparece de vez em quando. Assim como alguém que danificou a pele e não suporta um toque direto sobre ela, há quem tenha se magoado na malha intelectiva de tal modo que não pode mais falar ou pensar sobre o que houve.

Em Filosofia Clínica estudamos caminhos para a consideração deste fenômeno. Pesquisamos desde a natureza até os encaminhamentos do assunto. Verificamos se de fato é necessário lidar com isso, se não é o caso de deixarmos de lado; verificamos se não é somente um sintoma de alguém anterior que merece maior consideração. Damos atenção aos conteúdos da historicidade de vida da pessoa até o aparecimento do problema. Trabalhamos diversos itens importantes.

Um dos modos que habitualmente costumam ser suaves no encaminhamento de questões contundentes que flagelam a alma diz respeito a abandonar o assunto e não se ocupar mais dele. Exemplo: no caso da perda de alguém que se ama, não tratar mais deste assunto, não fazer qualquer menção a ele. Ocorre que muitas questões precedem a este posicionamento no consultório: saber se este abandono da questão não agravará o problema, entender se abandonar o assunto não é parte sintomática da questão, conhecer as premissas, avaliar as consequências.

O abandono de uma questão dolorosa com a qual não podemos lidar diretamente não se refere às questões que pedem apenas por tal ação para poderem se encaminhar naturalmente segundo um desfecho próprio. Aqui estamos tratando de um recurso que será imediatamente seguido de outro, profundo e essencial ao tema.

Como o filósofo clínico pesquisou detalhadamente a historicidade da pessoa, ele provavelmente descortinou diversos elementos atrelados à perda da pessoa amada, elementos estes que podem ser tangidos e articulados sem que se toque diretamente no fato da perda da pessoa amada, algo insuportável. O filósofo então transita por estes elementos laterais, subjacentes, mas ligados ao cerne da questão, e estuda quais desenvolvimentos podem acarretar a modificação da questão em bases mais condizentes com o modo de ser da pessoa, com sua estruturação, com sua historicidade. Em resumo, quais ações nos tecidos periféricos, mas relacionados ao núcleo da questão, uma vez instauradas promoveriam uma reacomodação nas raízes do tema tratado, a perda de uma pessoa amada, algo insuportável para a pessoa?

Teria sido uma ação semelhante a que Platão tomou quando da morte de Sócrates? Viajou, estudou, trabalhou questões outras até retornar para Atenas e retomar seu trabalho e o assunto.

É assim que no consultório, muitas vezes, a pessoa a quem atendemos inicia um curso de artesanato, sai para uma viagem de estudos para a Malásia, reforma seu apartamento, toma medidas e atitudes que em nada parecem ter relação com os problemas urgentes, e, no entanto, imediatamente, mostram capacidade para lidar com algo que até então era um entrave em suas vidas.

Há muitos caminhos, em geral, para a atividade em consultório. Abandonar a questão e trabalhar os elementos periféricos constitui um destes caminhos.

Como nasce uma Estrutura de Pensamento?

Na Filosofia Clínica, EP é como chamamos abreviadamente a Estrutura de Pensamento. O estudo da Estrutura de Pensamento é feito através da Historicidade de vida de cada pessoa, vinculada às Bases Categoriais (Lugar, Circunstância, Tempo, Relação e Assunto), ou seja, a Historicidade ligada ao contexto de vida de cada um.

Uma EP de um bebê, quando nasce nesse mundo, já vem parar em determinado contexto pronto: certa sociedade tal como está, local em que nasce, determinados pais, a relação que as pessoas ao seu redor têm com este novo ser, etc. São as Bases Categoriais, ou o contexto no qual a EP de certo bebê nasceu.

A partir disso, começará uma história de vida para este bebê, quando adulto, ele poderá contar sua própria história vida, escolherá fatos, editará lembranças, selecionará o que quiser e, a isto, é o que chamamos de Historicidade: a história de vida, contada pela própria pessoa. Não necessariamente os fatos em si, mas a edição dos fatos feita pela pessoa.

Quando o filósofo Lúcio Packter sistematizou a Filosofia Clínica, ele estruturou a EP em 30 Tópicos Estruturais[1] e 32 Submodos[2], sendo que eles se associam entre si, ao infinito, se rearranjam, criam amálgamas sem nome, que se apresentam apenas pelo fenômeno. Tudo isto é o que é estudado nos cursos de Pós-graduação em Filosofia Clínica ainda hoje.

Não quer dizer que qualquer EP, terá todos estes Tópicos e Submodos sistematizados por Lúcio Packter durante anos de pesquisa, alguns terão mais peso subjetivo que outros, uns talvez serão inexistentes, algumas pessoas por exemplo, não têm quaisquer vestígios do Tópico Emoções – e esta é uma afirmação que costuma ser polêmica para quem não é familiarizado com a Filosofia Clínica. O Filósofo Clínico é um pesquisador da alma humana, irá justamente investigar quais Tópicos e Submodos estão envolvidos e como se constitui cada EP. E isso é feito pela Historicidade da pessoa.

Qual a lembrança mais remota da sua história de vida? Você lembra de ter “nascido” gostando de algo sem que tenham lhe ensinado? Como nasceram em ti, tudo aquilo que hoje faz parte do que você é?

Você, amig@ filósof@, que adora livros e café, por acaso já viu um bebê de 9 meses, gostando disso talvez tanto quanto você? Pois há pais que já viram e me contaram, (inclusive filmaram para provar): viram o filho deles engatinhando sozinho até os livros; saiu do quarto, explorando a própria casa, até passou por alguns brinquedos pelo caminho, sem dar nenhuma atenção, chegou à biblioteca da casa, segurou-se nas prateleiras da estante e ficou passando as mãozinhas pelas lombadas dos livros com carinho e encantamento, como se mais nada existisse entre ele os livros, sem que os pais nunca tivessem lhe ensinado a fazer isso; assim também como nunca lhe ensinaram que café era bom (embora tomassem na frente dele) e viram olhinhos suplicantes de quem não quer “papinha”, mas que anseia por um só golinho da xícara de café que tomava a mamãe, nisso viu-se o riso, aquele riso de boca aberta, com olhos voltados para o céu, que resume o que podemos chamar do Lugar em que a felicidade mora, depois logo veio o choro, querendo mais e mais café, batendo mãos e pés: “Café não é coisa para bebês, meu filho, um dia você poderá tomar!” – Disseram-lhe os pais, impressionados com o interesse do filho de menos de ano de idade, por uma xícara de café. Se isso fará parte da Historicidade desse bebê, não sabemos, pois não é uma história de vida que será “contada” conforme os fatos que os pais acham interessante, mas aquilo que realmente será significativo para a própria pessoa, contado a partir de seu próprio mundo; claro, que as vezes, há quem constitua seu próprio mundo conforme os fundamentos da família, mas não é uma regra.

Em Novembro de 2017, durante um evento de Imersão em Prática Clínica, conversava com uma grande amiga, filósofa clínica, e ela me falava de suas impressões sobre uma mina que explora pedras preciosas, sobre todo o trabalho grandioso que é feito em gigantescas rochas, sobre como olhando por fora, não dá pra imaginar o que existe lá dentro… Assim também é, o trabalho do Filósofo Clínico que quando olha para uma EP, nem imagina o que existe lá dentro, há muitas EPs que escondem preciosidades e, talvez nem saibam, Filósofos Clínicos podem ser como exploradores, que de uma rocha “feia” retiram as “melhores” pedras; há EPs que se sentem sem nenhum valor, pois não sabem que poderiam se tornar verdadeiras joias, se assim o quisessem, ou lhes fosse producente, bastando apenas um processo de lapidação que revelaria o brilho que já nasceu com a própria EP. Qual é o brilho que nasceu com sua EP?

[1] Tábua de Tópicos da EP

      1. Como o mundo parece (fenomenologicamente)
      2. O que acha de si mesmo
      3. Sensorial & Abstrato
      4. Emoções
      5. Pré-juízos
      6. Termos agendados no intelecto
      7. Termos: universal, particular, singular
      8. Termos: Unívoco & Equívoco
      9. Discurso: Completo & Incompleto
      10. Estruturação de raciocínio
      11. Busca
      12. Paixões dominantes
      13. Comportamento & Função
      14. Espacialidade: Inversão
        Recíproca de inversão Deslocamento curto Deslocamento longo
      15. Semiose
      16. Significado
      17. Padrão & Armadilha conceitual
      18. Axiologia
      19. Tópico de singularidade existencial
      20. Epistemologia
      21. Expressividade
      22. Papel existencial
      23. Ação
      24. Hipótese
      25. Experimentação
      26. Princípios de verdade
      27. Análise da estrutura
      28. Interseções de estrutura de pensamento
      29. Dados da matemática simbólica
      30. Autogenia

[2] Tábua de Submodos da EP

        1. Em direção ao termo singular
        2. Em direção ao termo universal
        3. Em direção às sensações
        4. Em direção às ideias complexas
        5. Esquema resolutivo
        6. Em direção ao desfecho
        7. Inversão
        8. Recíproca de inversão
        9. Divisão
        10. Argumentação derivada
        11. Atalho
        12. Busca
        13. Deslocamento curto
        14. Deslocamento longo
        15. Adição
        16. Roteirizar
        17. Percepcionar
        18. Esteticidade
        19. Esteticidade seletiva
        20. Tradução
        21. Informação dirigida
        22. Vice-conceito
        23. Intuição
        24. Retroação
        25. Intencionalidade dirigida
        26. Axiologia
        27. Autogenia
        28. Epistemologia
        29. Reconstrução
        30. Análise indireta: Função
          Ação Hipótese Experimentação
        31. Expressividade

          09ª (a) Ed. Café Filosófico com Lúcio Packter – 1.PESSOAS PROBLEMAS

          https://www.youtube.com/watch?v=e3uzcHVocfE

          09ª (a) Ed. Café Filosófico com Lúcio Packter – 2 2.PESSOAS PROBLEMAS

          https://youtu.be/OCishl8PN_Q?t=12

Solidão é sofrimento? Especialistas apontam as vantagens de estar sozinho

O ano de 2020 pode ser considerado o mais solitário da vida de grande parte das pessoas. Isso porque a população mundial se viu obrigada a ficar em casa a maior parte do tempo para se proteger da covid-19. Há expectativa de que esse retiro forçado desencadeie aumento de problemas psicológicos, como ansiedade e depressão. Mas, para um cientista israelense, pode, também, ser um período que vá contribuir para o crescimento pessoal.

Liad Uziel, professor do Departamento de Psicologia da Universidade Bar-Ilan, analisou estudos anteriores sobre o comportamento humano e observou mais de 1.700 voluntários para chegar à conclusão. Ele constatou que os padrões do pensamento diferem-se quando uma pessoa está sozinha ou acompanhada. No primeiro caso, o foco no futuro e o no passado são mais constantes. Já em episódios de convivência social, a mente se mantém no presente e mais alegrias são vivenciadas. Segundo especialistas, ambas situações podem contribuir para a autoavaliação e a melhora da saúde mental.

“Na revisão de trabalhos, percebi que sabemos pouco sobre as experiências das pessoas quando estão sozinhas. Portanto, isso se revelou uma questão interessante”, conta, ao Correio, Liad Uziel. “Publiquei várias pesquisas que enfocam a experiência de solidão de indivíduos com alto grau de neuroticismo, em que observei que essa situação é extremamente difícil e desafiadora para eles. Nessa última investigação, quis analisar o tema de forma mais ampla.”

Os voluntários foram orientados a gerar frases e afirmações sobre suas experiências e seus padrões de pensamento habituais enquanto estavam sozinhos e acompanhados. Eles não receberam instruções ou tópicos específicos sobre o que escrever, em uma tentativa de garantir que as respostas não fossem influenciadas ou comprometidas.

A análise do material, publicada na revista Social Psychology, revela que, quando estavam sozinhas, as pessoas pensavam menos no presente. “Os dados mostram que, quando estamos sozinhos, temos a oportunidade de nos desenvolver atendendo às nossas necessidades e aos nossos desejos, livres de pressões externas. Temos tempo para seguir hobbies e liberdade psicológica para satisfazer nossos desejos”, detalha o cientista.

Por outro lado, quando estavam acompanhados, os voluntários sentiram mais ansiedade (que nem sempre é negativa) e raiva (pela possibilidade de atrito com os outros), mas menos tristeza do que quando estavam sozinhos. Além disso, ficaram mais focados no momento presente. “É engraçado perceber que muitas pessoas buscam atividades individuais, como a meditação, para se manterem mais focadas no presente, e que isso ocorra quando estamos acompanhados”, enfatiza Liad Uziel. “Por mais que nossas experiências sozinhos sejam positivas, desejamos ter contatos sociais porque, na presença de outras pessoas, desfrutamos da emoção das interações, da alta energia. Somos capazes de atender às nossas necessidades de conexão e pertencimento e de aumentar a autoestima por meio de comparações sociais”, avalia.

Equilíbrio

Para o cientista israelense, o segredo está em equilibrar as duas situações: solidão e sociabilização. “Estar sozinho e estar com os outros são experiências que proporcionam recursos diferentes para a nossa mente”, justifica. “É necessária uma combinação para usufruir de todas as vantagens proporcionadas por cada uma delas.” Vladimir Melo, psicólogo, também acredita que o equilíbrio é a receita ideal. Mas, segundo o especialista, muitas pessoas não conseguem usufruir das vantagens oferecidas pela solidão. “Isso depende do desenvolvimento emocional que foi adquirido ao longo da vida. Para algumas crianças, por exemplo, brincar sozinha pode ser uma tarefa prazerosa, enquanto, para outras, pode ser uma experiência de angústia e sofrimento”, ilustra.

Segundo o psicólogo, o equilíbrio entre as duas experiências é ainda mais difícil nos dias atuais, principalmente, devido à influência da tecnologia. “De fato, ser capaz de estar nas duas situações é fundamental, sobretudo em tempos de vínculos virtuais, que também têm a sua importância no mundo de hoje. O espaço virtual acaba sendo uma forma de estar só e acompanhado ao mesmo tempo”, explica Melo. “O equilíbrio entre essas experiências é essencial para construir uma sensação de segurança pessoal pelo pertencimento a grupos sociais e, ao mesmo tempo, pelo fortalecimento da autonomia.”

Pandemia

As observações foram feitas antes da pandemia, mas o cientista israelense acredita que as reflexões valem também para o momento atual. “Os dados para esse estudo foram coletados antes do surto pandêmico. No entanto, eles podem informar e encorajar as pessoas que precisam ficar sozinhas, mostrando que essa situação pode trazer alguns benefícios”, frisa.

Liad Uziel adianta que pretende realizar mais pesquisas que ajudem a entender melhor o efeito da solidão. “Meus planos estão focados em explorar maneiras que possam tornar a experiência de estar sozinho mais construtiva e desejável. Muitos acham que ela é intimidante, e uma meta para estudos futuros é explorar maneiras de transformar a experiência de solidão em algo estimulante”, conta.

Instabilidade

É um dos principais traços de personalidade reconhecidos pela psicologia, definido pela instabilidade emocional, pela tendência a se preocupar demais e pela falta de resiliência. Sozinho, o neuroticismo não é considerado um problema mental, mas pode contribuir para o desenvolvimento de transtornos, como a ansiedade e a depressão.

Palavra de especialista

Impactos na pandemia

“Esse estudo nos mostra que estar com os outros nos gera alegria e felicidade, ao mesmo tempo em que estar sozinho é fonte de paz e tranquilidade. Com isso, vemos que nenhuma das duas experiências é melhor ou pior do que a outra, e que elas são necessárias na vida de todo e qualquer ser humano. A pesquisa não mostrou esse ponto, mas podemos destacar, também, que estar com outras pessoas durante atividades específicas, como o trabalho, pode nos ajudar a aumentar a produtividade e a ter mais criatividade por meio de um aprendizado colaborativo. Sem sombra de dúvidas, teremos, ainda, mais dados para analisar esse tema com pesquisas futuras. Com certeza, muitos cientistas avaliarão o isolamento social que enfrentamos durante a pandemia da covid-19 e como a solidão impactará o emocional das pessoas”

Rafael vinhal, psiquiatra do instituto Castro e Santos (ICS), em Brasília

Jovens estão vulneráveis

A solidão em excesso pode provocar danos duradouros a crianças e adolescentes, segundo estudo publicado na revista Elsevier. Cientistas ingleses chegaram a essa conclusão após revisar mais de 60 pesquisas, com dados de mais de mil pessoas com 4 a 21 anos. Eles observaram que aqueles que viviam maiores períodos de solidão tinham maior risco de sofrer com doenças mentais, como depressão e ansiedade, quando adultos.

“A partir dos estudos selecionados, houve evidências de que crianças e jovens solitários podem ter até três vezes mais probabilidade de desenvolver depressão”, enfatiza, em comunicado, Maria Loades, professora e pesquisadora na University of Bath, no Reino Unido, e uma das autoras do estudo. Apesar dos dados terem sido coletados antes da pandemia, os pesquisadores acreditam que as análises podem ser usadas para prevenir problemas de saúde decorrentes do isolamento forçado.

Fazer contatos

Renata Nayara Figueiredo, médica psiquiatra e presidente da Associação Psiquiátrica de Brasília, lembra que nem sempre o distanciamento social desencadeia o sentimento de solidão. “Para evitar que isso ocorra, podemos manter contato pela internet e fazer com que as crianças tenham uma relação ainda mais próxima com os pais”, sugere. “É difícil projetar como vai ser depois desse período de isolamento, mas é importante manter esse cuidado e maior atenção à forma como as crianças estão psicologicamente.”

Lara Umbelina, psicóloga na Clínica Renoir Especialidades Médicas, em Brasília, também sinaliza os possíveis desdobramentos dos resultados obtidos. “Pesquisas que mostram possíveis consequências do isolamento social são interessantes porque ampliam os nossos conhecimentos, dando fundamentação para aumentarmos medidas que minimizem os efeitos indesejáveis para a saúde mental de criancas, jovens e, também, de adultos”, diz. “Também podem interferir em políticas públicas de saúde, sensibilizando os gestores para que possam fazer planejamentos estratégicos para enfrentar a questão.”

A música mexe com seu cérebro e pode aumentar a sua produtividade; entenda como

A trilha sonora correta  pode mudar o clima em um ambiente, deixando as pessoas mais animadas ou até mesmo tristes. É a música que define situações como um casamento e até mesmo uma festa de formatura. Mas o que muitas pessoas não sabem é que ela também afeta a sua produtividade.

saiba mais

Dentre os benefícios de uma música escolhida a dedo estão o estímulo a memória e o aumento na performance cerebral. Mas os efeitos se estendem para muitos outros fatores. Confira alguns deles.

A música melhora o seu humor
Quando você ouve uma música que gosta, o seu cérebro libera uma substância chamada dopamina, que age como neurotransmissor e te faz se sentir bem, reduzindo o estresse e ansiedade.

E esses efeitos já foram testados cientificamente! Em um estudo, por exemplo, os pesquisadores estudaram os efeitos da música em pacientes que estavam se recuperando de uma cirurgia.

Parte deles foi submetida a um tratamento com remédios para ansiedade, já outra parcela deles apenas escutou músicas pré-selecionadas.

No final do estudo, foi constatado que os pacientes que foram submetidos à música experimentaram menos ansiedade do que aqueles que havia tomado remédios. Os níveis de cortisol – hormônio responsável pelo estresse – também foram menores.

Para trabalhar, prefira instrumentais.
Não é toda a música que pode te ajudar a trabalhar melhor. Pesquisas indicam que músicas que possuem letras podem reduzir sua performance mental. Em contrapartida, trilhas instrumentais podem dar um salto na sua produtividade

Outros estudos também apontaram que o quanto mais vozes você ouvir na trilha, menos produtivo você será.

A música melhora sua performance física.
Escutar músicas motivacionais enquanto se exercita pode te ajudar a reduzir o tédio e melhorar a qualidade do seu treino.

De acordo com um estudo realizado pelo psicologista especializado em esportes Costas Karageorghis, uma das maneiras que a música aprimora suas atividades físicas é aumentando sua capacidade de se exercitar por mais tempo e com mais intensidade.

É recomendável ouvir músicas motivacionais para realizar atividades físicas. (Foto: Photopin)

Tarefa entediante? A música pode te ajudar
De acordo com o neurocientista e autor do livro “This Is Your Bain on Music”, a música pode tornar tarefas repetitivas mais agradáveis e aumentar a sua concentração.

Música melhora seu foco
Não só um, mas estudos descobriram que certas as regiões do nosso cérebro responsáveis por fortes emoção e concentração são mais ativas quando nós ouvimos uma trilha sonora familiar.

Em contrapartida, músicas desconhecidas não possuem o mesmo efeito e podem até mesmo te distrair!

Ouvir músicas entre uma tarefa pode ser o ideial
Conforme já vimos, ouvir música enquanto trabalha pode ter efeitos positivos e negativos na sua performance.

Entretanto, um estudo realizado com estudantes mostrou que, caso fossem ouvidas durante breves momentos de descanso, a exposição à música aumentava significativamente a capacidade de concentração dos jovens. Assim, eles conseguiam permanecer concentrados em textos longos e densos com mais facilidade.

Que tipos de músicas você deveria escutar?
O tipo de música que você irá escutar é extremamente importante para ajudar a melhorar sua performance. Entretanto, é preciso considerar alguns fatores:

  • Quantas letras a música possuí;
    • Se você já está familiarizado com a música;• O quão repetitiva é a tarefa que você irá fazer enquanto ouve;• Se você irá se engajar em uma atividade física ou mental.

Se você irá ler um livro, por exemplo, é recomendável ouvir uma música ambiente – ou até mesmo clássica.  Agora, se você for correr, talvez seja uma boa ideia optar por rock ou até mesmo música pop.

Olhar o mar faz bem: muda até seu cérebro e saúde mental

Não chega a ser segredo o fato de que ficar diante do mar, mesmo sem realizar mergulhos, ajuda a relaxar e experimentar sensação de bem-estar. Mas o que você talvez não saiba é que o fenômeno tem poder cientificamente comprovado de mudar o seu cérebro e saúde mental.

Através de um projeto chamado BlueHealth, a pesquisadora Lora Fleming e sua equipe, da Universidade de Exeter, Inglaterra, mostrou o impacto do mar e de suas ondas na mente humana. Confira detalhes das descobertas:

Ciência explica por que o mar ajuda a relaxar

De acordo com o estudo, os sons do mar ativam o córtex pré-frontal do cérebro, área associada a emoções e autorreflexões, fazendo com que a capacidade de bem-estar e autoconhecimento seja ampliada.

As ondas dos oceanos, segundo a pesquisa, geram íons negativos que, absorvidos, promovem alterações moleculares no corpo, gerando sensação de paz e equilíbrio. Eles ainda são capazes de regular os níveis de serotonina, substância química produzida pelo organismo responsável pela melhora do humor e pela redução da ansiedade.

Foi constatado também que o cortisol, o hormônio do estresse, também tem seus níveis reduzidos no organismo com o barulho das ondas do mar, que tem padrões de volume e frequência harmônicos e relaxantes.

Além disso, o som gerado pelo mar pode nos remeter aos ruídos que ouvimos quando estamos na barriga de nossas mães, o que provocaria grande impacto emocional inconsciente no que diz respeito a proteção e segurança.

Até mesmo visualmente o mar é capaz de transmitir calma e sensação de segurança, uma vez que sua superfície plana transmite estabilidade, afastando a preocupação e o estresse causados pela imprevisibilidade do ambiente.

6 ótimas dicas para lidar com pessoas arrogantes

Parto do princípio de que você, caro leitor, não se acha uma pessoa arrogante. Portanto, se este artigo chamou a sua atenção e você decidiu lê-lo é porque, provavelmente, conhece alguém que é tão arrogante que pensa ser Deus. Ou então que pensa ser maior que o mundo. Estou errado?

Infelizmente existem muitas pessoas assim, com quem lidamos diariamente, tendo nós de descobrir a melhor forma de comunicar com elas. Seja um membro da sua família, do seu emprego, da sua escola, ou até aquela pessoa que se sentou ao seu lado num transporte público, por exemplo.

Nós somos seres sociais, por natureza, e como tal, temos de conviver e lidar com todo o tipo de pessoas no nosso quotidiano.

Pode ser mesmo muito difícil lidar com pessoas arrogantes. Elas acreditam pouco nas capacidades dos outros e nutrem pouco respeito pelos seus sentimentos. Tendo dito isto, até soa praticamente impossível enfrentá-las mas…existem algumas maneiras que eu gostaria que você conhecesse.

1. OLHE-A CARA A CARA

Não se sinta intimidado com nada que essa pessoa faça ou diga, só para o fazer sentir-se mal. Permaneça firme e olhe-a bem nos olhos. Faça-a ver a sua insatisfação. Você não tem que se sentir pressionado por alguém que, claramente, não é sensato.

2. NÃO FUJA

Não faz sentido fugir de homens e mulheres arrogantes. Não tem como evitar. Eles são frustrantes, eu sei, e por vezes impossíveis de se lidar (principalmente as figuras de autoridade). Resista e não se deixa atacar quando tiver que confrontar uma pessoa assim.

3. DIGA-LHE O QUE SENTE

As pessoas arrogantes comportam-se e pensam que sabem tudo. Esse é o seu principal problema. Diga-lhe o que você pensa, liberte o que tem para lhe dizer. Ela pode nem ouvir os seus conselhos ou sugestões, optando por continuar a sua arrogância. Mais cedo ou mais tarde, quem acaba por sofrer as consequências é ela, não se preocupe.

4. MANTENHA-SE NEUTRO

Estas pessoas de “nariz empinado” comportam-se como pessoas muito influenciáveis, dizendo ter muitos amigos em seu redor. Muitas vezes, se as analisarmos bem, são inseguras e solitárias. Você pode acabar por ter pena de uma pessoa assim. No entanto, não aja contra elas com sentimentos de raiva e vingança. Isso só o irá prejudicar. Mantenha-se neutro e calmo. Não seja explosivo. Isso não o vai levar a lado nenhum.

5. EXPLIQUE-LHE OS BENEFÍCIOS DE ESTAREM JUNTOS

Se você se sentir confiante o suficiente para falar com essa pessoa e pedir-lhe, delicadamente, que não seja tão arrogante, vá em frente. Mas prepara-se para uma discussão, se for caso disso. Quem sabe, talvez se faça luz na cabeça do arrogante, portanto até é uma boa ideia de lhe dar um tempo para mudar. Explique-lhe os benefícios de trabalharem juntos ou estudarem juntos, em nome de uma boa causa. Se vocês tiverem objetivos em comum, saliente-lhe a importância de manter uma relação cordial e positiva entre vocês.

6. IGNORE-A COMPLETAMENTE

Os arrogantes podem ser pessoas extremamente irritantes, que gostam de o humilhar toda a hora, tratando-o como incompetente. É difícil lidar com esta questão, eu sei (eu próprio já passei por muitas situações destas durante o meu percurso de vida). Portanto, o meu conselho é: ignore essa pessoa sempre que puder. Não se deixe aborrecer e faça-a ver isso mesmo. Eventualmente, essa pessoa arrogante vai perceber que não o consegue derrubar e irá perder cada vez menos tempo a chateá-lo.

Dicas e avisos

  1. Não tente ser seu amigo, mas não também não seja seu inimigo. Tratando-o com a mesma arrogância só vai fazer com essa pessoa piore o seu péssimo comportamento.
  2. Não se esforce demasiado a impressionar alguém que está, claramente, com o “rei na barriga”. Lidar com pessoas arrogantes requer confiança em si próprio. Não entre em depressão por causa delas. Não vale mesmo a pena.

 

4 Passos para o alívio do sofrimento emocional – Psicólogo Miguel Lucas

Ao longo das últimas décadas, através do meu trabalho com centenas de atletas e clientes em consulta, e de milhares de usuários do blog da Escola Psicologia, eu tenho constatado o quanto as pessoas julgam ter algo errado com elas, como se isso fosse uma epidemia. É como se as pessoas criassem uma “ilusão” credível acerca delas mesmas como sendo indignas ou tivessem nascido para sofrer.

A realidade da minha própria vida, e de inúmeras outras pessoas, leva-me a acreditar que conseguimos despertar dessa “ilusão” através da prática da autoconsciência e autocompaixão. Podemos chegar a confiar na bondade e pureza de nossos corações, a qual está na base da condição humana. Vimos ao mundo com o potencial de amar, sermos amados e ausentes de condicionalismos. Na verdade, vimos ao mundo impregnados de positividade.

A fim de florescermos usando a autocompaixão, temos primeiro de perceber que este processo depende da necessidade de sermos honestos conosco mesmos, permitindo dessa forma o contato direto com a nossa própria vulnerabilidade. A compaixão pratica-se plenamente quando nós ativamente disponibilizamos cuidados a nós mesmos.

Para ajudar as pessoas a lidar com os sentimentos de insegurança e indignidade, muitas vezes ensino a prática da mindfulness e compaixão através de um exercício inicial de caminhar em atenção plena. Este exercício, é uma ferramenta fácil de lembrar para a prática da atenção plena. Tem quatro passos:

 

  1. Reconhecer o que está acontecendo
  2. Permitir presenciar a experiência, exatamente como é no momento presente
  3. Investigar com bondade
  4. Consciência natural, que aparece da não identificação com a experiência

Você pode explorar o caminhar em atenção plena (mindfulness)  praticando o seguinte exercício:

Escolha um percurso calmo que você está habituado a fazer, pode ser um parque, à beira de um rio, junto à praia, na montanha, entre outros. Ao iniciar a sua marcha, coloque a sua atenção numa parte do corpo ou em alguma sensação em particular, ou faça-o de forma mais plena e contemplativa, observando o máximo de sensações corporais, ou ainda ficando ciente do máximo de estímulos que o seu corpo lhe permite experimentar, num determinado momento.

Por exemplo, os sons à sua volta, algum ponto de tensão que possa sentir no seu corpo, a deslocação do vento no seu rosto, a pressão dos maxilares, o franzir da testa, o peso do corpo ao caminhar, entre outros. Comece por focar a sua atenção em apenas um estímulo, observe e experimente essa sensação e imagem, em seguida, sem perder o foco nesse primeiro estímulo que escolheu, acrescente outro estímulo. Adicione tantos estímulos quantos conseguir, sem perder o foco nos anteriores.

Por exemplo, ao caminhar, tente sentir a a sensação dos seus pés no chão, sinta o pressão que faz ao caminhar, foque-se por instantes nisso, depois, passado alguns segundo adicione outra sensação corporal, por exemplo, a sensação do vento no seu rosto, mas sem deixar de sentir a sensação dos seus pés no chão.

Tente manter-se focado nesses dois estímulos e adicione outro, por exemplo o som do vento nas árvores ao seu redor. Em seguida, de entre todos os estímulos, escolha um ou dois em que quer sentir ou experimentar de forma mais aprofundada. Nesta última parte do exercício você treina a sua atenção plena, percebendo, que é você que decide de entre todos os estímulos presentes qual opta por observar mais detalhadamente.

O exercício anterior fornece-lhe a base para melhor compreender e assimilar os quatro passos que se seguem, pois permite que você perceba que apesar de sentir determinadas sensações no seu corpo, você tem uma consciência que é independente delas, que funciona como o observador, sem julgamento.

1 – Reconhecer o que está a acontecer

Reconhecer conscientemente, em qualquer momento, os pensamentos, sentimentos e comportamentos que estão a afectar-nos joga um papel preponderante no alívio do sofrimento. É como despertar de um sonho, o primeiro passo para sair da ilusão do sofrimento é simplesmente reconhecer que estamos presos, que estamos sujeitos a crenças dolorosamente limitativas, e a emoções e sensações físicas que interpretamos como ameaças. Os sinais mais comuns da ilusão do sofrimento, incluem uma voz crítica interior, sentimentos de vergonha ou medo, a angustia da ansiedade ou a desesperança da depressão.

Diferentes pessoas respondem ao sentimento de sofrimento e/ou de indignidade de maneiras diferentes. Alguns podem ficar ocupadas, tentando provar a si mesmo que têm valor ou outras razões para se agarrarem à vida valiosa, outras, com medo do fracasso, podem tornar-se desanimadas ou até mesmo paralisadas. Outras podem recorrer a comportamentos de dependência para evitar enfrentar a sua vergonha, medo, infelicidade. Qualquer uma destas estratégias pode levar a qualquer comportamento defensivo ou agressivo com os outros, ou apego prejudicial.

Algumas pessoas estão em guerra com elas mesmas há décadas, sem nunca perceberem como o autojulgamento e autoaversão as impede de encontrar a verdadeira intimidade com elas mesmas, com as outras pessoas e desfrutar das suas vidas, ou daquilo que ainda possuem. Ao invés de ouvir e confiar em nossa vida interior, a maioria de nós tende a viver de acordo com as expectativas dos outros, internalizando tudo isso para si mesmo. Neste cenário pejorativo, quando se fica aquém de alguma realização desejada, condenamos a nós mesmos.

Embora isso possa parecer deprimente ou esmagador, aprender a reconhecer que estamos em guerra conosco é muito poderoso. Na verdade, não perceber a ilusão do sofrimento e/ou indignidade é como se você tivesse sempre a respirar um gás tóxico. O objetivo neste primeiro passo, é que você consiga ficar mais consciente do seu autojulgamento incessante e dos sentimentos de inadequação, para que possa libertar-se da sua prisão interior dolorosa.

“Em mim habitam muitas limitações, preconceitos e insensibilidades impostas pelos outros, pela sociedade e cultura.
Às vezes tão incisivas que me fazem olhar para mim de forma rígida, cheias de “ses” e “devias”, Critico-me a mim, aos outros, às coisas, aos ricos, aos pobres, aos muçulmanos, aos cristãos, aos gays, aos do norte, aos do sul, Sempre com a dose certa de malícia, suficiente para obscurecer a minha bondade, empatia, compaixão, solidariedade, Tudo isso por medo, por tomar partido, por proteção, por vaidade, por supremacia, talvez até por sobrevivência, Dia a após dia, vou ficando encarcerado pela minha maledicência que me afasta do amor, O amor, tantas vezes esquecido, justifico esse esquecimento pela mágoa, pela “casca” dura que o olhar com desdém construiu, Vivo dentro dessa fortaleza que me afasta da humanidade, Que me mantém longe da expressão livre e simplista da minha mais profunda natureza – o amor e a capacidade de ser amado, Nos recônditos da prisão que construí á minha volta, sempre no pressuposto de me proteger, de afastar “aqueles” que julgo serem diferentes (piores), Isolei-me de todos, inclusive dos que julgo serem iguais a mim, Olhei mais profundamente e à minha volta vi tantos iguais a mim, também eles presos nas suas prisões construídas por eles próprios, Eu, eles, e os outros, estamos vivendo em prisões que nos obrigam a distanciarem-nos, que nos obrigam a deixarmos de nos expressarmos livremente com as convicções que deveriam ser respeitadas, Que nos impedem de nos ajudarmos, que nos impossibilitam de nos olharmos como iguais num mundo que é de todos e para todos, Talvez todos, eu você e os outros devêssemos abrir as nossas próprias prisões (corações) e contribuir para que outros abram também as portas das suas próprias prisões (corações), Corações abertos são a expressão de uma alma fraterna. Vamos abrir os nossos corações.”

2 – Permitir-se sentir a sua vida interior

Permitir-se sentir, significa deixar os pensamentos, emoções, sentimentos ou sensações que tem consciência que está a experimentar, simplesmente acontecerem. Normalmente, quando temos uma experiência desagradável, reagimos de uma de três maneiras:

 

  1. Exacerbando o autojulgamento
  2. Reduzir-nos aos nossos sentimentos
  3. Concentrar a nossa atenção para outro lugar.

 

Por exemplo, você pode ter o sentimento vergonhoso de ter sido demasiado duro na chamada de atenção ao seu filho. Mas em vez de permitir-se a experimentar esse sentimento, ficar com ele e observá-lo, você pode optar por culpar o seu parceiro por não fazer a sua parte, ou preocupar-se com algo completamente diferente, ou decidir que é hora para uma sesta. Todas as opções anteriores cumprem um mesmo objetivo: Resistir à dureza e desconforto dos sentimentos incómodos, inibindo a experiência do momento presente.

Você pode permitir-se sentir, simplesmente parando o impulso de abandonar o incómodo sentido, deixando que a experiência seja aquilo que ela é. Permitir que os nossos pensamentos, emoções, sensações corporais simplesmente sejam o que são, não significa que concordamos com a nossa convicção de que fomos indignos ou que estamos em sofrimento.

Em vez disso, honestamente reconhecemos a presença do nosso julgamento, bem como os sentimentos dolorosos associados à situação que estamos a viver no momento presente.

Victor Frankl, disse: “Entre o estímulo e a resposta, há um espaço, e neste espaço reside a nossa força e nossa liberdade.” Permita-se criar um espaço que o capacita ver mais profundamente em seu próprio ser, que, por sua vez, desperta o seu carinho e ajuda-o a fazer escolhas mais sábias na vida.

Por exemplo, para alguém que tem dificuldade em controlar a quantidade de comida que ingere, criar um espaço de ficar com a sensação associada ao impulso de comer, irá permitir que a pessoa sinta a tensão no seu corpo, o seu coração disparar, o desejo, entre outros.

Ao ficar com a sua experiência interna, a pessoa pode ser levada a perceber as verdadeiras razões dos seus impulsos. Ou seja, neste exemplo da comida, poderia estar relacionado com a pessoa estar sozinha, ter terminado um relacionamento, ou sentir falta de realização pessoal.

Se no exercício de experienciar as urgências internas, a pessoa perceber que pode fazer algo para melhorar o seu estado, ou que consegue ser gentil com ela mesma, irá diminuir a vontade de comer em excesso.

3 – Investigar com bondade

Investigar, significa ativar a nossa curiosidade natural, ou seja, o desejo de conhecer a verdade e dirigir uma atenção mais focada para a nossa experiência presente. Basta fazer uma pausa para perguntar: “O que está acontecendo dentro de mim? Este questionamento pode iniciar o reconhecimento, mas a investigação adiciona um tipo mais ativo e concreto de inquérito.

Você pode continuar com mais perguntas:Onde está grande parte da minha atenção? Como eu estou experimentando isso no meu corpo? Em que eu estou acreditando? O que este sentimento quer transmitir-me?

Você pode sentir um vazio ou tremores, e em seguida, descobrir um sentimento de indignidade e vergonha mascarado por esses sentimentos. A menos que você traga tudo isso à consciência, as suas crenças e emoções inconscientes vão controlar a sua experiência e perpetuar a sua identificação como uma pessoa limitada e incapacitada.

O poeta Dorothy Hunt, disse: “Nós precisamos de um espaço no coração, onde tudo o que é, é bem-vindo.”

Sem essa atitude de cuidado incondicional, não há segurança suficiente e de abertura para que a investigação real ocorra. Há três anos atrás atendi em consulta uma pessoa que sofria maioritariamente de dor crónica. Durante um período particularmente desafiador de dor e fadiga, aquela pessoa ficou desanimada e infeliz. Tudo se complicou quando o meu cliente me relatou que começou a ficar impaciente, egoísta, irritado e sombrio em relação ao seu problema. Começámos então a trabalhar nos quatro passos que estou a explicar neste artigo.

Pouco a pouco, começou a reconhecer os sentimentos negativos e julgamentos depreciativos e a permitir-se a sentir conscientemente o dissabor das emoções dolorosas, ficando com elas. Quando ele começou a investigar, começou a ouvir uma voz amargurada: “Eu odeio viver assim.” E, em seguida, “Eu me odeio“.

A toxicidade das suas apreciações cheias de autoaversão estavam tomando conta da sua vida. Naquele momento o meu paciente para além de lutar com a sua doença, ele estava em guerra consigo mesmo, com a pessoa irritável e egocêntrica que acreditava que se tinha tornado.

Sem saber, ele estava a ser refém de si mesmo, pois foi-se mantendo em cativeiro pela ilusão de indignidade e sofrimento. Mas, no momento em que passou a reconhecer as suas vozes autocríticas e permitir-se ficar com o sofrimento de ódio, o seu coração começou a amolecer com compaixão.

Aqui está uma história que ajuda a descrever o processo pelo qual muitas pessoas estão alimentando o seu sofrimento. Imagine que durante uma caminhada na mata você vê um cão pequeno sentado perto de uma árvore. Você curvar-se para acariciá-lo e, de repente, ele começa a ladrar energicamente, com os dentes à mostra.

Inicialmente você pode ter medo e raiva. Mas, passado pouco tempo você percebe que uma das suas patas está sangrando, pois está presa numa armadilha, enterrada sob algumas folhas. Imediatamente o seu humor muda de raiva para preocupação. Você vê que a agressão que o cão saltou, foi devido à sua vulnerabilidade e dor. Isso se aplica a todos nós.

Quando nós nos comportamos de forma prejudicial, sendo reativos, é porque estamos presos em algum tipo de armadilha dolorosa. Quanto mais se investigar a fonte de nosso sofrimento, mais nós cultivamos um coração compassivo para conosco e com os outros.

A compaixão surge naturalmente quando nós conscientemente deixamo-nos ficar em contato com a nossa dor e passamos a cuidar dela com cuidado e carinho. À medida que você for praticando estes quatro passos com base na atenção plena (mindfulness), irá certamente começar a perceber que tipo de atitudes e gestos você tem consigo mesmo que suavizam as suas dores, dificuldades e incómodos.

O que importa é que depois de você ter investigado e conectado com a sua dor, ou dificuldade, saiba que tem à sua disposição um conjunto de oferta de cuidados para o seu próprio bem. Quando a intenção de despertar o autoamor e autocompaixão é sincera, o menor gesto, mesmo que, inicialmente o sinta como estranho, irá surtir efeito.

4 – Consciência amorosa natural

A consciência natural amorosa ocorre quando a identificação com o ego é abandonada. Esta prática de não identificação significa que o nosso sentido de quem somos não se confunde com nenhuma das nossa limitações associadas a emoções, sensações, ou histórias. Nós começamos a intuir e viver a partir da abertura e amor que expressamos através da nossa consciência natural. Embora as três etapas anteriores exijam alguma atividade intencional.

O aumento da consciência é o tesouro: Um regresso a casa que nos liberta para a nossa verdadeira natureza. Não há nada a fazer nesta última etapa, nós simplesmente descansamos na consciência natural.

O exercício da atenção plena expressa nestes quatro passos não é uma solução que serve para tudo na vida, nem garante por si só a realização de nossa consciência natural como algo estável ou duradouro. Em vez disso, é o inicio para uma mudança de perspectiva. Você pode confiar nela como uma prática para a clarificação das suas dúvidas e temores, como um caminho para a melhoria.

Cada vez que você está disposto a abrandar e reconhecer, ohh, isto é a ilusão de indignidade e sofrimento … isto é o medo … isto é o rancor … isto é o julgamento …, você está pronto para livrar-se dos velhos hábitos e limitações das autocrenças que aprisionam o seu coração e a sua felicidade.

Aos poucos, você vai experimentar a consciência amorosa natural como a verdade de quem você é, mais do que qualquer história que você já disse a si mesmo sobre “não ser suficientemente bom” ou “ser um falhado.”

Muitos de nós vivemos por períodos muitos longos de tempo aprisionados nos nossos condicionamentos criados por um senso de deficiência, cortando a realização da nossa inteligência intrínseca, positividade e amor. A maior bênção que podemos dar a nós mesmos é reconhecer a ilusão do sofrimento (condicionalismo), e regularmente oferecer uma caminhada em atenção plena, ativando a autocompaixão para despertar os nossos corações.

Miguel Lucas

Linguagem corporal e a psicologia

A linguagem corporal é utilizada há milhões de anos e os primeiros estudos científicos foram feitos por Charles Darwin.

Alguns estudos afirmam que 93% da nossa comunicação é não-verbal, ou seja, a maior parte da comunicação humana é realizada apenas por meio de gestos, postura, expressões faciais e movimentos dos olhos.

De acordo com Darwin, as emoções são universais, uma vez que pessoas de diferentes regiões do mundo são capazes de identificar as mesmas expressões para determinada emoção.

Como seres humanos, escolhemos palavras, criamos imagens e fazemos abstrações utilizando uma parte do cérebro chamada neocórtex.

Porém, o sistema límbico, responsável pelos sentimentos, envia impulsos elétricos ao corpo, gerando expressões e movimentos que muitas vezes são involuntários.

O que é linguagem corporal?

A linguagem corporal pode parecer abstrata, misteriosa e dependente de um processo interpretativo.

Seu uso, entretanto, é tão importante para a comunicação quanto o domínio da linguagem verbal.

Na Psicologia, a linguagem corporal é fundamental para indicar emoções que não foram ditas pelas palavras.

Quando um paciente mente ou omite alguma coisa, o psicólogo é capaz de entender as razões por trás deste comportamento, trabalhando de forma que, pouco a pouco, o paciente consiga falar a verdade sobre suas emoções.

Além disso, personalidades perigosas — como a dos sociopatas — não apresentam expressão nenhuma, uma vez que não possuem sentimentos.

Com a correta leitura da linguagem corporal, a psicologia é capaz de identificar e tratar essas psicoses.

Os gestos, quando bem observados, são capazes de revelar pensamentos e ideias que por algum motivo não são expressadas. Saiba algumas características que podem ser observadas:

Posição da cabeça

  • Cabeça inclinada é um potencial sinal de afinidade e, se a pessoa sorri ao mesmo tempo em que sua cabeça se inclina, é sinal de que ela está sendo brincalhona e talvez até flertando. Atenção: pessoas com problemas de visão também têm propensão a inclinar a cabeça;
  • Cabeça baixa indica vontade de esconder algo. Se a pessoa abaixar a cabeça ao receber um elogio, pode ser porque ela é tímida, envergonhada, retraída ou estar em descrença. Se for depois de uma explicação, a pessoa pode não ter certeza se o que ela disse foi correto ou pode estar refletindo. Note que, em algumas culturas, abaixar a cabeça para outra pessoa é um sinal de respeito;
  • Cabeça empinada, por sua vez, significa que a pessoa está confusa ou em desafio. Lembre-se do cão, que ligeiramente ergue sua cabeça quando você faz um barulho esquisito. Em contrapartida, quando em conjunto com um sorriso, a cabeça inclinada pode significar que a pessoa realmente gosta de você e está se divertindo muito com a conversa.

Olhar

  • Pessoas que olham constantemente para os lados são muito nervosas, mentirosas ou distraídas. No entanto, se uma pessoa desvia o olhar, pode ser sinal de desconforto ou submissão. Olhar de soslaio geralmente significa que a pessoa está desconfiada ou não está convencida do que está ouvindo;
  • Se alguém olha muito para o chão, provavelmente é tímido ou reservado. As pessoas tendem a olhar para baixo quando estão chateadas ou tentando esconder algo emocional;
  • Pupilas dilatadas significam que a pessoa está interessada. Tenha em mente, entretanto, que muitas drogas causam dilatação das pupilas — como álcool, cocaína, anfetaminas e LSD. Não confunda uma bebedeira com atração;
  • Se o olhar parecer distante, é sinal de que a pessoa está em profunda reflexão ou não está ouvindo.

Braços

  • Pessoas com braços cruzados estão se fechando à influência social. Embora algumas pessoas simplesmente cruzem os braços como um hábito, isso pode indicar que a pessoa é reservada ou está desconfortável com sua aparência. Se os braços estão cruzados enquanto seus pés estão alinhados com os ombros, trata-se de uma posição de resistência ou de autoridade;
  • Se alguém repousa os braços atrás do pescoço ou na cabeça, a pessoa está aberta ao que está sendo discutido ou apenas descontraída;
  • Mãos nos quadris podem indicar espera, impaciência ou apenas cansaço;
  • Mãos fechadas ou cerradas indicam irritação, zanga ou nervosismo.

Gestos

  • Escovar o cabelo para trás com os dedos pode indicar vaidade, um gesto por hábito, atração por quem está ouvindo ou uma mostra de que os pensamentos estão em conflito com o que você diz. Se as sobrancelhas forem levantadas ao mesmo tempo, pode ter certeza de que a pessoa não concorda com você;
  • Se a pessoa usa óculos e constantemente empurra eles para cima do nariz, com um pequeno franzir de testa, pode ser uma indicação de que ela discorda do que você está dizendo. Mas, tenha o cuidado de certificar-se que a pessoa empurra os óculos com uma intenção e não apenas para ajustá-los casualmente;
  • Sobrancelhas baixas e olhos vesgos ilustram uma tentativa de compreender o que está sendo dito ou acontecendo. Geralmente, trata-se de um olhar cético.

Rodrigo Fonseca explica como nossas emoções influenciam a linguagem corporal!

Reconheça os sinais corporais

  • É fácil reconhecer uma pessoa confiante: ela faz contato visual constante e tem uma postura forte. Ela também pode ficar muito empinada;
  • Se uma pessoa fala rápido, murmura muito ou não é clara sobre o que está dizendo, ela pode estar nervosa, mentindo, tentando ganhar tempo ou deixando de dizer a verdade plena (sendo vaga). Esteja ciente, entretanto, de que algumas pessoas apenas resmungam;
  • Observe o rosto: ele geralmente emite uma contração muscular involuntária rápida e, às vezes, subconsciente quando acontece alguma coisa que irrita, excita ou diverte;
  • Quando uma pessoa fecha os olhos mais do que o tempo que leva para piscar, pode ser sinal de que ela está estressada, alarmada ou desesperada;
  • Quando uma pessoa lambe os lábios, é um sinal de que gosta de você.

 

Reflexões sobre a psicanálise do século XXI

Para quem não conhece Jacques Lacan

Jacques Lacan foi psiquiatra e psicanalista que atualizou as obras de Freud, elaborando e criando também novos conceitos que atendiam mas as questões de seu momento histórico. Se quiser saber mais sobre Lacan, já fiz alguns posts por aqui.

A nossa sociedade mudou, os laços sociais modificaram e aquele modo vertical nos laços sociais já não é o mesmo.Hoje em dia você não se localiza mais pela orientação paterna, mas pelo coletivo.

Geralmente, quem procura um analista, nem sempre é para saber sobre o seu passado, mas querer saber sobre o seu futuro, principalmente em saber fazer suas escolhas, até porque as opções são muitas e fazer as escolhas os colocam em uma situação de indecisão, ansiedade e dúvidas. E, quantos nesse momento, pelo medo das escolhas se tornam paralisados e até mesmo alienados em seu processo de maturidade, preferindo permanecer em sua “zona de conforto”, permanecendo o maior tempo na adolescência. Já falei um pouco sobre isso por aqui também: Até quando vai a adolescência na pós-modernidade? Até quando vai a adolescência na pós-modernidade?

Fazer uma análise, onde te possibilitará uma boa escuta do seu inconsciente,  poderá possibilitar a você se responsabilizar por suas escolhas, uma vez que sendo você único nessa vida, só caberá a você mesmo decidir o que se quer para sua trajetória de vida, para evitar que atenda a demandas de outros e/ou de ditos da sociedade.

Sou suspeita em falar, mas como faço análise, posso dizer que é o melhor investimento que fiz e faço em minha vida. E, mesmo você que já passou dos 50, pode ter certeza que o investimento vale a pena. Lembrando que uma análise é diferente de terapia. Há algumas diferenças entre os profissionais que trata da saúde mental. Já falei sobre isso por aqui também.

Dando continuidade então para saber um pouco mais sobre Lacan, pois é o meu escolhido na minha profissão, por entender que a análise lacaniana é a que tem mais condições de possibilitar um tratamento para as questões da atualidade.

Sou formada em Psicologia, fazendo o meu percurso para analista lacaniana, e acreditem gente é muito estudo, análise pessoal, atendimentos e supervisões, até porque as mudanças atuais e aceleradas nos convoca para atualizações constantes para desenvolver uma boa clinica.

Para a formação do psicanalista há um grande percurso a ser percorrido. O primeiro importante ponto é que o futuro analista faça sua análise, e fazer uma supervisão com analistas mais experientes é para que você possa ir criando seu próprio estilo e cada vez mais você ir ocupando o lugar do analista, e, sem dúvida nenhuma na formação do psicanalista é fundamental os estudos teóricos contínuos e Lacan nos convoca a cada texto seu a buscar mais e mais conhecimentos.

Faz parte também a transmissão da psicanálise para o espaço público. Lembrando que essa formação é contínua e um trajeto acima de tudo ético.

As duas clínicas de Lacan

A primeira Clinica de Lacan

A primeira clinica de Lacan estava mais voltada para a época do século passado, um pouco mais longa. 1953 a 1970.

No seminário 1, no primeiro e segundo capitulo, ele critica o modelo de analise que então estavam se fazendo na época, onde ele dizia:  Mostre o analisando que direi quem será o analista. Lacan criticou os analistas, pós-freudianos,  da sua época, por entender que  estavam fugindo da regra fundamental de Freud.

Nesse seminário 1 ele discute em vários encontros com seus alunos, alguns médicos e psiquiatras da época sobre as teorias de Freud, estudando e questionando as mudanças que haviam sendo feitas  pelos analistas nos ensinamentos de Freud, distanciando, em alguns casos, de suas teorias.

Na sociedade do tempo de Freud o Édipo dava conta e hoje a sociedade é outra. A sociedade era vertical e era possível se realizar pela ordem do pai. Para se ter uma ideia, naquele momento não havia a globalização…

Ao preencher uma visão de mundo naquilo que faz sentido para você, os analisandos se identificavam com os seus analistas e ficavam sempre igualzinho ao mesmo. Lacan não concordava com isso. Ele dizia que se tinham perdido a essência da descoberta freudiana, se afastando da regra fundamental da psicanálise.

O que era a regra fundamental?

A regra fundamental – O analisando deve falar o que vem na sua cabeça, não existe certo ou errado, era a regra da associação livre. Freud deixou essa regra e ele retirou isso da literatura.

Em 1882, o médico e fisiologista autríaco Josef Breuer conta para Freud um caso que ele tinha atendido onde, durante o atendimento, a sua paciente tinha dito para ele para que não interrompesse o que que ela estava falando, porque ela queria “limpar o chaminé”, ela precisava falar para melhorar o seu tratamento.

Breuer achou isso estranho e comentou o fato com Freud. Breuer, um médico ainda jovem,  ficou quieto e escutou a Anna O., dando valor a fala de sua paciente. Ela tinha algumas alucinações, falava inclusive em línguas diferentes. Ela queria falar do que se passava com ela.

Assim, Anna O. fez com que pensasse que o saber não está nem com o médico, nem com o analista. Ela queria fazer a sua cura pela fala dela que se associava – o saber estava em uma instancia que se dava nesse encontro. Se colocar em analise é colocar esse outro lugar, onde aquilo que é dito é algo que ultrapassa o que aqueles dois estão falando a respeito. Se quiser saber mais sobre Freud, esse filme vale a pena.

Filme: Freud além da Alma

Quantas vezes a pessoa vai até uma consulta médica e quer falar e ser ouvida e, nem sempre, o médico a sua frente dá esse momento de escuta, o que muitas vezes o corta no meio de sua colocação e inicia sua consulta rápida, deixando ao paciente aquela sensação de que não pode passar ao médico aquilo que queria dizer.

A Segunda Clinica de Lacan

A segunda clinica de Lacan inicia-se de 1970 a 1981. Lacan morreu em 1981.

Segundo Jorge Forbes, que foi aluno de Lacan, nessa segunda clinica de Lacan que foi escrita mais as pressas, essa ficou  inacabada e caberia aos seus alunos a darem a continuidade. Lacan já com seus conceitos, vem atender mais as questões da contemporaneidade.

Lacan: O inconsciente estruturado como uma linguagem

1957 – Lacan com 56 anos, vai dar uma conferencia ao pessoal de letras na Souborne e ele fala sobre. “A instância da letra no inconsciente”.  Lacan diz que: desde a origem os alunos de Freud não reconheceram os significantes.

Freud dizia: Nós não dominamos nosso inconsciente. Ele fala por nós..

Analista interpreta o relato do sonho. Jamais se interpreta um sonho. Se o próprio analisante não consegue relatar seu sonho, jamais o analista vai sonhar por ele.

Em uma análise é algo diferente do que acontece nas consultas médicas. Quando se vai muito tempo a um mesmo médico é feito ali uma história do paciente, como se fosse uma continuidade ao tratamento com um histórico de continuidade que se possa comparar com outros casos iguais ou semelhantes.

Em uma análise, cada sessão é única e se trabalha com o que o analisante traz em sua fala naquele momento.

Colocar alguém em uma análise é possibilitar ultrapassar o eu e o tu, “passar para outra cena, outro lugar, onde aquilo que é dito ganha um sentido novo que ultrapassa aqueles dois que estão conversando, que é o que tenta se fazer em uma análise e porque tenta se ultrapassar o eu e o tu é que se convida uma pessoa a se deitar no divã, porque é um instrumento técnico facilitador, não obrigatório (…) mas é fácil de entender essa perspectiva de fazer esse outro falar, para o qual eu me determino”.

O saber não está nem com o médico, nem com o analista e o paciente, mas a partir de um método da associação livre, onde o saber do inconsciente se apresentará.

Lacan após a sua primeira clinica, começa a perceber que ela já não atendia o que estava acontecendo nas grandes transformações da sociedade, diferente da época de Freud.

Em 1975 – em uma das suas conferências – Um americano lhe pergunta: Quando termina uma análise? Lacan responde: “uma análise não dever ser forçada até muito longe. Quando um analisando pensa que está feliz da vida, é o bastante”.

“Existe o feliz acaso, (…) o bom encontro, aliás só existe isso a Felicidade do acaso. Os seres falantes (1973) parletre (traduzido em português – fala-ser) . Será que o parletre é feliz por natureza? Lacan pergunta: “Será que através do discurso analítico não poderia tornar-se um pouco mais feliz?”

Que felicidade é essa? “É uma felicidade do acaso, por que na realidade ela não tem nome.”

“Como é chata a felicidade por um prêmio ou um bom trabalho bem feito” As pessoas estranham isso, dizendo que a psicanálise está trazendo confusão. A psicanálise é uma visão do mundo, ela põe em questão as visões do mundo.

Em Outros escritos de Lacan, aponta que a solução da satisfação não está onde ele pensou antes. Existe uma outra clinica de que alguma coisa passa fora da palavra e, a partir de 1975, Freud não explica, ele implica.

A pessoa que esta em associação livre, não há mais nada lógico garantido que a pessoa possa nomear.

“Felicidade não é bem que se mereça. Segundo Lacan:  Felicidade vem por acaso.”

Jorge Forbes propõe uma vida qualificada e não qualidade de vida.

Forbes dá um exemplo da segunda clinica:

Um paciente chega na análise e diz que refletiu muito no final de semana e descobre que é um mau marido, um péssimo pai e um amante meia-boca.

Por que o senhor se pensa tão mau? O que está acontecendo na sua vida para que pense isso? (uma forma freudiana de questionar).

Lacan faz diferente: “Meu caro o fato do senhor me dizer que se deu conta que é mau pai, péssimo marido e amante mais ou menos, não diminui nada o fato de você dizer que é mau marido, péssimo pai e amante mais ou menos”. Além daquela cena existe um obsceno.

O desabonamento do insconsciente é o que o Lacan chega na sua clinica. Não existe mais a irresponsabilidade de jogar tudo para o seu inconsciente. Aqui não é o sintoma que ele trouxe no inicio da análise, esse é o seu sintoma, um sintoma indecifrável. O sujeito vai ter que lidar com isso, de que maneira ele vai lidar com isso? Invenção e responsabilidade. A pessoa vai descobrir que esse é o seu sintoma. Aqui é o final da análise.

Não se sabe bem o que é, mas é preciso lidar com isso, de uma maneira que possa inventar algo sobre isso e se responsabilizar.

A análise não dá resposta pronta para ninguém. Ela possibilitará que cada pessoa se depare com essa coisa dura que não terá como decifrar, é ela que terá que nomear e se responsabilizar.

Não tem mais a certeza que o inconsciente vai te salvar. Não existe mais essa descarga de responsabilidade sobre o inconsciente. A pessoa se dá conta com algo duro, é um sintoma indecifrável, que não será transformado em mais nada. A não ser o fato da pessoa se dar conta que a sua existência é um sintoma indecifrável. É o fato da pessoa ter que lidar com isso que lhe atormenta, ou seja, inventar algo sobre isso, e se responsabilizar.  É um movimento que os artistas fazem – cria, se responsabiliza  e coloca o seu trabalho em exposição e tenta convenser os outros.

Cada pessoa se depara com algo duro, frente ao qual o que não há como decifrar e frente ao qual ele terá que lidar e se responsabilizar.

Por que Lacan faz uma mudança tão radical na segunda clinica? Jorge Forbes diz: que essa mudança é devido a mudança dos laços sociais.

Hoje as pessoas estão juntas sem se compreenderem e nem por isso menos juntas.

Os pais achando que os filhos são indecisos, eles conseguem estar juntos sem se compreender. As pessoas estão juntas por amor, sem se compreenderem.

Os pais e filhos tem que se compreenderem. Quem disse? Eles podem se amar sem contudo se compreenderem. Hoje eles, essa nova geração, conseguem colocar milhão de pessoas juntas e conviverem. Eles não são como nós fomos. E aquilo que nós fomos não responde a essa sociedade de hoje. Que bom que eles são diferentes de nós. Eles conseguiram fazer novos vínculos diferentes dos nossos, que era verticalizados.

Os jovens de hoje conseguiram se adaptar a essa nova forma de laços que estão na sociedade atualmente. Não adianta querer que o mundo volte aos nossos tempos, e agradeça se seu filho jovem pensa diferente de você.

É hora da gente baixar a Crista, pois o que fomos não responde mais por isso que está ai.

Pais e filhos se amam sem se compreenderem. Eles descobriram que podem colocar 3 milhões de pessoas juntas sem se compreender. Nós o máximo que conseguíamos era colocar 180 mil pessoas para ver um show.

Eles não são como nós fomos. Ainda bem, pois como nós fomos, não responde mais a sociedade de hoje. Eles conseguiram fazer novos vínculos além da verticalidade. Eles transformaram articular monólogos. Eles conseguiram apontar pontos éticos diferentes dos nossos.

Algumas diferenças entre os que tem mais de 40 anos e os jovens de hoje, segundo Forbes

Viemos de um mundo verticalizado – O pai era o chefe da casa, o chefe na empresa, o chefe da Igreja etc.

Ou estávamos do lado deles ou contra a ordem do pai, lutando para outra ordem. “O povo unido jamais será vencido”.

Hoje é totalmente diferente, não se localiza mais para uma orientação paterna.

Hoje você vai ter que exercer a flexibilidade para poder estar junto as pessoas. Não precisam mais se compreenderem.

Jorge Forbes, apresenta um quadro das diferenças de nosso tempo para os atuais que é muito interessante:

Mundo Moderno  x  Mundo globalizado

Ordem vertical       –   Ordem horizontal

Orientação paterna – Calculo Coletivo

Verdade                   – certeza

Da impotência a Potência – Da Impotência ao impossível

Diálogo                   – Monólogos articulados

Raciocinar              – Ressoar

Estático                 – Interativo

Hierarquias           – Radicais diferenças

Treinamento         – Experiências

Avaliação             – Responsabilização

Adversidade        – Oportunidade

Razão asseptica – Razão sensível

Futuro- projeção do presente – Futuro – Invenção do presente

Lembrando que do lado esquerdo é para aqueles acima dos 40 anos – Onde tinhamos uma verticalidade.

Se antes eu sabia do meu caminho e/ou perguntava ao meu pai o que fazer ou estava contra o que ele dizia. Eu escolhia da seguinte forma: Ou eu estava a favor a ordem do pai ou estava contra a ordem do pai. “O povo unido, jamais será vencido”.

Era uma orientação paterna. Esse tipo de passeatas não resolvem mais para a atualidade. Hoje não se orienta mais pela paternidade, mas pela horizontalidade, pelo coletivo.

Sobre esse fato, que Jorge Forbes comenta, pensei nas ultimas passeatas aqui no Brasil. Se lembrarmos bem, a maioria que estava nas ruas eram muitos acima dos 40 anos.

Hoje você terá que ser várias coisas para poder estar em diferentes lugares. Estávamos em um mundo da verdade. Hoje não é verdade a sua certeza, hoje não é assim mais. O ponto da vida qualificada é o que deve ser.

Hoje as pessoas fazem ressoar, faço uma coisa que ressoam em outras. O mundo não é mais da hierarquia, treinada, mas hoje é o mundo das experiências.

Hoje em dia tem diversidades de versões, mas hoje é globalizado. Ter adversários é perda de tempo.

O futuro era uma projeção, mas hoje é uma invenção.

O laço social não é mais o mesmo.

Outro quadro novo para a discussão.

O tratamento no mundo anterior e o tratamento hoje no século XXI

Lacan tirou a psicanálise do simbólico e colocou no real. A primeira clinica baseada no simbólico, uma clinica do sentido.

A segunda clinica, busca a consequência daquilo que é dito. Você opera diretamente sobre a forma de se satisfazer de uma pessoa. Você busca hoje consequências.

Consequências de cada pessoa, sobre a percepção de si próprio.

Jorge Forbes cita o Caso do paciente que vem reclamando sobre sua impossibilidade de se locomover e pergunta ao analista se ele sabe como é isso, lidar com as suas dificuldades.

O analista responde: não tenho a menor ideia de como é isso.

O paciente responde: De fato o senhor não pode ter ideia.

Analista: Não eu não sei isso. o senhor poderá me contar como é isso?

Isso fez uma marca diferente da de todos com a compaixão.

Hoje a clinica é uma clínica pós-edípca.

Hoje a clinica é do delírio. É uma clinica linear.  Hoje não tem mais padrão. O padrão é uma defesa contra o risco. Mas hoje estamos totalmente nos riscos.

Hoje a felicidade é por acaso.

Hoje você busca a identificação do sintoma duro e ver o que fazer com isso.

A psicanálise revelava o passado. Hoje em diante ela inventa o futuro.

Hoje em dia as pessoas chegam ao analista para perguntar sobre o futuro sem saber para onde vão. As pessoas estão angustiadas, pelo número de opções de escolha que se tem. Para onde eu vou. As pessoas não tem um ponto de referencia.

A análise te permite isso, você poder inventar a sua resposta para enfrentar os desafios desse século XXI.

A clinica psicanalista é onde se fabrica a nova psicanálise, a segunda clinica de Lacan, tem como dar respostas as novas formas de laços sociais.

Em 1970 – Era dito que Pais e filhos teriam que se entender. Hoje -Família é um amor sem conversa.  Até sem conversar vai continuar se gostando.

Educação – Legitimar a educação, não se traduz informação em conhecimento, sem responsabilidades. As escolas estão perdidas e desesperadas.

Amor – Antes o Amor justificado, ficaria com você porque prometi, ficarei com você para o que der e vier. Tudo isso já era mentira, mas encontrava uma certa acomodação.  Hoje o amor será diferente, estou com você e nem sempre tenho a menor ideia do porquê. Mas quando descobrir, posso continuar ou deixar você.

Comercio – Antigamente vendia objetos. Hoje em dia um comercio que não vender cultura, vai ser difícil continuar. Qualquer empresa deve se posicionar como uma editora de cultura.

Ex. Apple – O iphone quando foi apresentado, ele diz: isso não é um telefone, não é uma maquina de calcular, não é um computador, ele é uma interface para conectar pessoas. Ele descobriu um posicionamento da empresa dele, porque ele sacou que uma industria tem que ser uma formadora de cultura.

As empresas – A gestão não é mais vertical. Muda tudo, hoje a gestão é horizontal não tem nada a ver como o de antigamente. O líder de ontem tinha características de sobriedade, de distancia, de autoridade. Hoje o líder tem que lidar com as crises de identidade, da aproximação e não distanciamento.

Na Política – Hoje Brasília não é mais nosso pai. Se o Brasil dependesse somente deles, estaria bem pior do que está hoje. A Política de hoje passa por um momento de reinvenção. Não é a toa que os filhos de hoje não querem estar na política, não responde o que é preciso para esse novo momento.

Sobre a famosa qualidade de vida

Inúmeros livros tentam retratar ou até mesmo querer ensinar sobre a qualidade de vida, como se fosse fácil seguir algumas regrinhas e ser feliz. Resolveram coletivizar a qualidade de vida, quando na realidade não é bem assim que acontece.

Tentam a todo custo ensinar aquilo que não pode ser qualificável no coletivo, nem tudo que é bom para um poderá ser bom para outro. Tem que ter muito cuidado com os livros de auto-ajuda que só ajuda os autores. É algo moralista, é tentar dar respostas as pessoas em momentos de sofrimento.

Jorge Forbes muda esse conceito, para uma vida qualificável que é diferente da qualidade de vida. Ou seja, vida qualificável caberá a você descobrir o que realmente para você fará a diferença. Em busca de respostas prontas, você tenta entrar nessa. Mas a vida qualificável é um convite feito a cada um para que possa responder onde você é feliz e como quer continuar vivendo.

Enfim gente, procurei trazer aqui para você um resumo dos videos sobre o assunto, pois os vídeos são um pouco longos e as vezes não terão tempo de escutar. Mas se quiserem assistir é só entrar abaixo e seguir os próximos.

Assisti, gostei, coloquei algumas opiniões minhas no meio do resumo e resolvi dividir aqui com você, como forma de pensarmos um pouco sobre as nossas questões contemporâneas e a necessidade de estarmos sempre abertos para o novo. Pois, embora a forma que presenciamos e vivemos no passado era um pouco mais organizada, já não é assim hoje e viver do passado não te deixará saborear o presente.

 

IMPOR RESPEITO Imediatamente

Algumas pessoas parecem que nasceram auto confiantes e conseguem impor respeito em todos os ambientes de forma instintiva. Mas, mesmo que algumas pessoas tenham esse comportamento naturalmente e sem pensar, qualquer pessoa pode entender este princípio e usar técnicas para conquistar o respeito nos grupos. Veja estas 3 dicas:1. Ocupe Espaço

Sim, ser “espaçoso” funciona. Deixar o corpo relaxado e não ter medo de ocupar espaço demonstra uma pessoa confiante, destemida e que está confortável na situação atual. É só você imaginar o oposto de uma postura confiante, uma postura insegura. Pessoas inseguras costumam ficar encolhidas, com os braços colados no corpo, tentando ocupar o mínimo de espaço possível:

Isso acontece porque quando sentimos medo retraímos o corpo, numa tentativa de auto proteção. Ocupar mais espaço, além de transmitir confiança, é uma postura dominante.

Só pelo jeito espaçoso que o cara aí de cima está sentado a gente já sabe que ele é confiante.

Mas atenção, use sempre o bom senso: Invadir e roubar o espaço dos outros terá  efeito diferente, transmitindo a mensagem de que você é folgado e sem noção. Se coloque de uma maneira confortável mas que não atrapalhe as outras pessoas.

2. Não permita que os outros te interrompam

Se você está em um grupo e as pessoas não te deixam falar, interrompendo o que você está dizendo a cada minuto, a impressão que passa é a de que o que você tem a dizer é menos importante. Você provavelmente já sabe disso, afinal, deve ser esse o sentimento que você tem quando isso acontece. Mas a resposta não é se calar, aceitando a situação, e muito menos ficar bravo ou emburrado.

Algumas táticas para você usar:

  1. Encoste amigavelmente na pessoa que o interrompeu e diga algo tipo “só vou concluir meu raciocínio”;
  2. Fale um pouco mais alto;
  3. Continue falando normalmente no mesmo tom e ignore a interrupção.

3. Respeite

Sabe aquela frase “respeite para ser respeitado” ? Então, analise sinceramente se você é uma pessoa que respeita os outros, mesmo aquelas com pontos de vista diferentes do seu. Quando entrar em uma discussão tenha sempre em mente debater o argumento, e não ofender e estigmatizar o argumentador. Afinal, como exigir respeito dos outros se você não estiver dando respeito?

Agir com agressividade diante das contrariedades, perder o controle, gritar com as pessoas pode parecer poderoso a princípio mas é uma forma infantil de autoridade. A longo prazo respeitamos mais as pessoas que unem autoridade com auto controle.