Ser otimista pode ajudar a viver melhor na velhice, aponta estudo

Desde muito cedo as pessoas costumam imaginar como será sua vida quando envelhecerem. E quanto mais o tempo passa, mais perguntas surgem: como estarei daqui a 30 anos, terei amigos, serei saudável, ativo?

Para avaliar a autopercepção e o próprio otimismo em relação à velhice, pesquisadores da Oregon State University, nos Estados Unidos, descreveram em um estudo como a influência do nosso próprio “eu” interfere no processo de envelhecimento, refletindo em uma boa qualidade de vida na velhice ou não.

“Pesquisas anteriores mostraram que as pessoas que têm uma visão positiva do envelhecimento aos 50 anos vivem 7,5 anos a mais, em média, do que as pessoas que não têm”, disse Karen Hooker, coautora do estudo.

Os pesquisadores queriam entender como as autopercepções do envelhecimento estão ligadas e influenciam na saúde.

Como o estudo foi feito?

Os especialistas usaram questionários respondidos por 244 adultos de meia-idade e idosos, nos quais foram analisados, especialmente, dois fatores: a capacidade de uma pessoa de se tornar o que deseja ser no futuro (autoeficácia); e otimismo como um traço geral de personalidade, isto é, o quão capazes elas se sentiam de se tornarem a pessoa que esperavam, e evitar se tornar a pessoa que temiam ser.

Os participantes disseram se concordavam ou discordavam de afirmações como: “as coisas estão piorando conforme eu envelheço”, “eu tenho tanta energia quanto no ano passado”, “quando envelhecer serei menos útil”, “em tempos de incerteza espero pelo melhor”?

E quais foram as conclusões?

Entre os “eus” que eles desejavam se transformar estavam: pessoas sociáveis, com amigos e saudáveis. Já entre o que eles temiam ser no futuro estavam: doentes, rabugentos, zangados e dependentes dos outros para necessidades do dia a dia.

Segundo os autores do estudo, um dos principais problemas enfrentados pelos idosos são os estereótipos negativos que os taxam de incapazes de realizar suas próprias tarefas no dia a dia, como dirigir, fazer compras ou realizar pagamentos. E isso realmente pode influenciar e causar danos reais à saúde.

“As pessoas precisam perceber que algumas das consequências negativas para a saúde na vida adulta podem não ser motivadas biologicamente. A mente e o corpo estão todos interligados”, disse a coautora do estudo.

Ela avalia que quando acreditamos que coisas ruins vão acontecer, ao longo do tempo, isso pode contribuir para que nossa saúde realmente seja afetada e, consequentemente, vivermos as coisas que tanto temíamos.

“Os idosos podem fazer algumas coisas melhor do que os jovens. Aumentar as oportunidades de relacionamentos é uma maneira de tornar as pessoas mais otimistas quanto ao envelhecimento”, diz Hooker.

O estudo concluiu que a forma como alguém avalia como será sua velhice pode influenciar no futuro.

Como lidar com a culpa

Culpa é o sentimento de dívida. Vem da impressão de ter falhado consigo mesmo ou com alguém, percepção essa que pode ou não corresponder à realidade. Todo ser humano está sujeito a essa sensação, exceto os sociopatas, por serem privados da bússola moral que indica o que é certo e o que é errado. Em outras palavras, trata-se de sentimento inerente à condição humana, mas sabe qual é o problema de não se conseguir gerenciá-lo? O problema, caro leitor, é que ficar remoendo a culpa não produz efeito prático algum, apenas abre portas para lamúrias e mais lamúrias. Pior ainda, pode tornar você mais um refém do medo, incapaz de esboçar reação. Percebe que funciona como um veneno dos mais potentes? Então, quais seriam os antídotos? Continue lendo, que talvez eu possa oferecer alguma resposta.

Primeiro, é preciso compreender a origem desse sentimento. Entenda que ele está sempre relacionado a uma decisão tomada no passado, com reflexos no presente. Por exemplo, a culpa que talvez você, concurseiro, carregue hoje, por não passar com a família o tempo que gostaria, é fruto de sua decisão de mudar de vida por meio dos estudos. Lembra-se de tê-la tomado, lá atrás?

Segundo, temos de aceitar que frustrações são inevitáveis, mas ruminá-las ou não, ao contrário, está sob nosso total controle. Como explica a psicóloga e professora do Gran Kátia Lima, a quem consultei antes de redigir este artigo, “a ruminação relacionada à culpa, à luz da psicologia cognitivo-comportamental, vem de um pensamento inútil, caracterizando, assim, uma atividade mental sem propósito, que não nos levará a lugar nenhum”.

Um tipo de culpa é a chamada “situacional”. Ela surge após um fato ou a tomada de certa decisão e pode ser descrita como uma espécie de hesitação sobre ter feito o que fez e do jeito que fez. Ora, erros e acertos constituem experiências, fazem parte da vida. Assim, uma decisão que gere resultados extraordinários pode, igualmente, produzir consequências negativas. Não se martirize. Não se condene. Procure pensar que você agiu de acordo com as informações disponíveis e as condições do momento. Você deu o seu melhor conforme o seu entendimento da época, e ponto.

Outro tipo é a culpa subliminar, sem conexão com nenhuma ação concreta, nenhum evento em particular. Tem a ver com sensações difusas como a de não estar sendo um bom filho, esposo, indivíduo; ou a de estar deixando a desejar nos estudos, na academia, na alimentação… Talvez esse tipo de culpa seja mais prejudicial por criar fantasmas que assombram o tempo todo, iniciando um círculo vicioso no qual, quanto mais nos culpamos, mais repetimos o “erro” original, que resulta em mais culpa, e assim sucessivamente.

Claro, a culpa tem lá a sua função social e individual. A pesquisadora Brené Brown explica que o sentimento é saudável quando nos move em direção a pensamentos e comportamentos positivos, ao desenvolvimento como ser humano. É com base nas lições aprendidas a cada tropeço que vamos criando saídas para situações desconfortáveis que experimentamos. A culpa é, assim, parte da solução.

O problema surge quando não mantemos nossos sentimentos sob controle. Explico: uma pessoa consumida pela culpa tende a perseguir formas de castigo, julgando-se merecedora de punição, e isso leva facilmente à autossabotagem. A penitência provoca a ilusão de que se está quitando a “dívida”. Cegos e confusos, esquecemos que a vida não tem interesse algum em nos punir. Para ela, basta aprendermos com a experiência e seguirmos em nosso crescimento. “Menos culpa, mais aprendizado!” É esse que precisa ser o nosso mote.

Dra. Juliana Gebrim, outra psicóloga do Gran que ouvi em busca de informações mais precisas para este artigo, sugere algumas formas de lidar com a culpa:

  1. Substitua-a pelo senso de responsabilidade.

A conotação negativa da palavra “culpa”, que lembra martírio, precisa ser substituída por outra, mais propositiva. “Sim, eu poderia ter feito diferente. Assumo a responsabilidade por isso e vou agir de outra forma com as informações que tenho hoje” deve ser o pensamento a nos guiar. Analise bem: você foi mesmo causador do evento que deu origem a seu sentimento de culpa? Será que não está tomando para si a responsabilidade por algo que era inevitável? Se você foi mesmo o grande responsável, aprenda com a experiência, e bola pra frente!

  1. Humanize-a.

A culpa integra nosso processo de construção como pessoas. Tudo bem senti-la, mas é essencial compreendê-la como um norte para agirmos diferente. Lembre-se: não somos máquinas, das quais se espera perfeição, mas seres humanos, falíveis por natureza.

  1. Trabalhe a autocompaixão, a capacidade de cuidar de si mesmo e de ser compreensivo com os próprios erros.

Nossas ações não nos definem, amigo leitor. Exercer a autocompaixão é essencial no controle do estresse, na melhora da autoestima e na gerência da culpa. Tenha mais carinho por si mesmo.

  1. Relembre quais eram suas intenções no momento da ação.

Se você agiu conforme o melhor entendimento que tinha na época, não há motivo para se culpar tanto. Talvez hoje não fizesse igual nem tomasse a mesma decisão, mas o contexto é outro. Ou você acha que não pode errar nunca? Só se vive no agora, e já conversamos sobre isso. Não teríamos a maturidade de hoje sem os tropeços de ontem, lembra?

  1. Implemente a técnica do “a partir de hoje”.

Anote ou registre mentalmente as lições do passado, zere o histórico e pense: “O que vou fazer diferente a partir de agora?” É preciso ser pragmático, transformando o sentimento de culpa em atitude para mudar o futuro.

  1. Use o arrependimento para perdoar.

O último estágio da culpa, o arrependimento, antecede o momento em que finalmente conseguimos perdoar a nós mesmos e ao próximo. Como sempre digo, o maior beneficiado em perdoar é você mesmo, não importa o que a outra pessoa fez! Seja sagaz e pratique o perdão.

“A verdade sai do erro, por isso nunca tive medo de errar, nem dele me arrependi seriamente”, disse, certa vez, o psiquiatra suíço C. G. Jung (1875-1961). Temos de ser mais benevolentes com nós mesmos ao falharmos. O erro é o caminho do acerto e deve ser visto como útil, construtivo.

A ideia, portanto, é, quando sofrermos algum desgosto ou perturbação, não perdermos tempo repassando os fatos na mente, sucessivas vezes, em busca de culpados. O melhor é analisar o que aconteceu, com o cuidado de separar agente e ato – que, afinal, não se confundem –, e extrair da experiência o máximo de lições possível. Estamos em contínua construção, e não é nada razoável se culpar por não ter agido de uma dada maneira no passado. Nunca é demais lembrar que a consciência que temos hoje é resultado dos erros e acertos de ontem.

Você pode ter falhado inúmeras vezes, muitas delas de forma bastante grave, mas você não é um erro. Nenhum de nós, aliás. Não cultive mais esse sentimento. Se ele surgir, dê passagem para que vá embora logo. Aprenda com sua própria história, perdoe-se e siga em frente. Não carregue mais peso do que consegue. Com a consciência de hoje, você pode escrever novos e melhores capítulos para o seu amanhã, não reescrever os de ontem.

Eu acredito nisso, e você?

“A principal e mais grave punição para quem cometeu uma culpa está em sentir-se culpado.” Sêneca

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Necessidade de controlar tudo gera angústia; veja como se livrar do hábito

O desejo de ter o controle das situações é um sentimento intrínseco da nossa espécie e justificável: imprevistos e fatores desconhecidos podem gerar insegurança, medo e vulnerabilidade. O ser humano tem a ilusão de que quando o outro e as coisas estão dominados ou sob o seu controle não haverá risco de resultados negativos. Porém, o controle pode trazer uma falsa sensação de segurança, além de colaborar para que se acredite que ações e pensamentos são sempre superiores aos das outras pessoas, prejudicando as relações.

A vida é imprevisível. Querer exercer o controle sobre determinadas coisas só provoca sofrimento, frustração, impressão de fracasso e insegurança, pois, em muitos casos, dependemos dos outros para lidar com situações do dia a dia. Assim, a necessidade de querer administrar se torna sempre presente, criando um paradoxo: se por um lado o controle serve para evitar as coisas ruins, por outro passa a ser algo tóxico, pois o indivíduo se torna dependente da própria mania. Em longo prazo, os controladores podem desenvolver quadros de depressão, ansiedade ou outras patologias.

O que não podemos controlar

O tempo e a morte são circunstâncias óbvias que não podemos regular ou até mesmo combater. Outros fatores mais simples, porém, também merecem ser mencionados:

A opinião alheia: tentar controlar o julgamento dos outros, principalmente a seu respeito, é uma atitude que só causa sofrimento e que também pode afetar a espontaneidade das relações, pois você passa a tentar se encaixar nas expectativas de terceiros. Muitas vezes podemos controlar (ou questionar) nossos pensamentos, emoções e comportamentos diante de outra pessoa, mas não podemos controlar como ela se comporta e o que ela sente em relação a nós —mesmo que nos esforcemos muito para isso.

Toda e qualquer atividade dos filhos: é claro que nos primeiros anos de vida a vigilância é fundamental. Porém, à medida que as crianças vão crescendo, controlar excessivamente a vida dos filhos prejudica a autonomia, evita que eles cometam seus próprios erros e aprendam com eles, além de afetar seu desenvolvimento emocional e psíquico.

Fenômenos naturais, acidentes e catástrofes: por mais que tomemos certas precauções, evitar que uma barragem se rompa —a exemplo do que aconteceu em Brumadinho (MG) — ou que uma tempestade provoque enchentes são acontecimentos que estão fora do nosso alcance tentar reter ou evitar. O mesmo vale para o clima: mesmo com as estações do ano nos orientando sobre o que vestir ou que cuidados tomar, um compromisso marcado com antecedência pode não ser como imaginamos por conta de uma chuva de granizo ou de uma frente fria inesperada.

O surgimento de doenças: prática regular de atividade física, alimentação equilibrada e uma boa higiene do sono podem contribuir para evitar uma série de enfermidades. Porém, contrair ou não uma doença também sofre a influência de fatores alheios à vontade —a pandemia do coronavírus em 2020 é uma lição e tanto nesse quesito.

O comportamento e as escolhas de vida de outras pessoas: isso é bem comum nas expectativas dos pais em relação aos filhos (sobretudo sobre opções profissionais) ou em relações muito próximas (familiares, amizades) no geral. Na tentativa de exercer esse tipo de controle, muita gente é capaz de oprimir a identidade do outro em função de seu perfil dominador. E, quando não consegue interferir, há um sentimento de frustração e decepção.

Como romper o padrão?

Se você acredita que deve se livrar da mania de controle, reflita sobre colocar essas sete dicas em prática no seu dia a dia:

  1. Sempre analise a situação para verificar se ela pode, de fato, ser controlada ou se é uma situação que independe de suas ações;
  2. Faça um exercício de reflexão sobre qual a real necessidade de ter tudo sobre controle. Talvez a sua verdadeira dificuldade seja usufruir a vida com mais liberdade, aproveitando as incertezas que ela apresenta;
  3. Observe seus pensamentos e emoções diante das situações para identificar todas variáveis das circunstâncias que costuma tentar controlar. Muitas vezes as pessoas exercem o hábito de tentar controlar tudo e todos de forma tão automática que nem percebem o que estão fazendo;
  4. Repare em seus sentimentos. Pessoas que almejam dominar todas as situações vivem um dilema interno consigo mesmas, pois estão sempre frustradas por não terem suas expectativas atendidas. Mau humor, irritabilidade excessiva e estresse elevado são alguns sinais de que está passando dos limites;
  5. Invista no autoconhecimento. Ele vai permitir um melhor gerenciamento de seus sentimentos, pensamentos, emoções e ações. Além disso, ao se perceber com mais clareza você vai ter mais claro o que está fora do seu alcance e, assim, deixar de empregar energia em algo que não trará resultado;
  6. Aceite suas deficiências e fortaleça suas qualidades, aprendendo a ressignificar seus próprios resultados;
  7. Permita-se e ouse experimentar a sensação do descontrole de vez em quando. Por mais desconfortável e assustador que isso possa parecer, é possível iniciar um processo adaptativo até que consiga administrar melhor os gatilhos que o deixam vulnerável às adversidades.

Fontes: Andréa Ladislau, psicanalista, do Rio de Janeiro (RJ); Marcelo Lábaki Agostinho, psicólogo clínico do IP-USP (Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo); Priscilla Brandi Gomes Godoy, psicóloga e neuropsicóloga da da Unidade Campo Belo do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo (SP); Silvia Cury Ismael, gerente de psicologia do HCor (Hospital do Coração), em São Paulo (SP).

Por que Carl Jung provavelmente se horrorizaria com a interpretação atual de conceitos que criou?

Foi o psiquiatra suíço que popularizou os termos introversão e extroversão, mas não com a intenção de que fossem usados da forma polarizada como são hoje.

Se perguntassem se você é introvertido ou extrovertido, o que você responderia?

A maioria das pessoas se identifica como um adjetivo ou outro sem pensar duas vezes.

Afinal de contas, são características totalmente opostas.

Uma pessoa introvertida, por exemplo, pode desejar passar seu tempo livre na tranquilidade de sua própria companhia, algo que para um indivíduo mais extrovertido pode parecer um inferno.

Mas você pode realmente ser extrovertido ou introvertido? E será que há algum benefício em nos identificar como um, e não como o outro?

O psiquiatra suíço Carl Jung foi quem popularizou os termos introversão e extroversão (ou “extraversão”, como ele escrevia) quando fundou seu corpus teórico e clínico que chamou de psicologia analítica em 1913.

A premissa básica é que os introvertidos buscam energia

internamente, enquanto os extrovertidos a obtêm das pessoas ao seu redor.

No entanto, de acordo com o psicoterapeuta e escritor Mark Vernon, Jung ficaria “horrorizado” com a maneira como esses termos são adotados hoje.

Embora muitos de nós nos descrevamos veementemente como “extrovertidos” ou “introvertidos” e vejamos esses traços como partes essenciais de nossa identidade, as definições de Jung não eram tão polarizadas.

Na visão de Jung, precisávamos buscar “energia” tanto fora quanto dentro para sermos “pessoas plenas”.

Longe de ser “o que somos”, Jung considerava a introversão e a extroversão como tipos de consciência que podemos experimentar de maneiras diferentes em situações distintas.

Tanto a introversão quanto a extroversão podem dominar nosso comportamento, mas também podemos nos beneficiar da outra que está em algum lugar dentro de nós.

Aproveitando ambas as fontes de “energia”, podemos realmente expandir nossa experiência de vida.

Nas profundezas

O que é exatamente isso que temos em algum lugar profundo? Jung se refere ao que chama de “sombra”.

Embora pareça perturbador, é simplesmente uma metáfora para o lado da nossa personalidade que supostamente reprimimos porque não reflete a maneira como nos apresentamos ao mundo.

Alguém que pula de festa em festa, por exemplo, pode descobrir que passar um tempo sozinho não é tão insuportável quanto temia; pode ser uma forma eficaz de se reabastecer.

A vida é mais fácil para os extrovertidos?

Ver a introversão e a extroversão de uma forma binária pode nos levar a tomar decisões com base no tipo de personalidade com a qual nos identificamos.

Por exemplo, há estudos que indicam que os “introvertidos” (como os testes de personalidade rotulam) acham que não teriam sucesso ou tampouco desfrutariam de cargos de liderança.

Isso pode dissuadi-los completamente de concorrer a esses tipos de vagas no trabalho.

Em contrapartida, os extrovertidos, que se apresentam como confiantes e dominantes, são vistos convencionalmente como mais adequados para essas funções de alto poder.

Assim, é provável que os “extrovertidos” ganhem mais do que os “introvertidos”.

Os benefícios da introversão

No entanto, as pessoas não se restringem a apenas um tipo de personalidade, e aqueles com tendências introvertidas podem se beneficiar profissionalmente por se comportar de maneira extrovertida de vez em quando.

Pesquisas mostram que indivíduos com traços de introversão tendem a superestimar os sentimentos negativos que vivenciam quando agem de forma extrovertida, o que os desencoraja a fazê- lo.

Mas estudos também sugerem que essas preocupações são infundadas e, quando os introvertidos exploram um lado diferente de sua personalidade, eles na verdade gostam de agir de forma extrovertida (tanto quanto aqueles com uma disposição extrovertida!).

Isso parece confirmar a teoria de Jung de que podemos nos beneficiar ao resgatar nossa ‘sombra’ (neste caso, a extroversão).

Como diz Vernon, se aproveitarmos cada vez mais essas formas de contradição, “aos poucos as reforçamos, e elas deixam de ser uma sombra para se tornar parte de nós”.

Finja até conseguir

As qualidades associadas à introversão também podem ser benéficas para situações de liderança.

Pesquisas mostram que enquanto líderes extrovertidos obtêm melhores resultados ao trabalhar com uma equipe passiva, as mais proativas respondem melhor a líderes introvertidos.

Abraçar a qualidade extrovertida da confiança ajudará as pessoas introvertidas a acreditar e colocar em prática suas habilidades de liderança.

Depois de terem alcançado essas posições de poder, os líderes introvertidos podem se beneficiar do comportamento que lhes é mais natural, como uma boa capacidade de ouvir e pensar.

O problema com os rótulos

Há algo mais, explica Vernon, que faz com que definir as pessoas por tipos de personalidade não seja particularmente útil: o fato de que nossas personalidades mudam com o tempo, mesmo quando somos adultos.

A linguagem é um fator importante em jogo: descrever a nós mesmos ou aos outros usando um adjetivo como “introvertido” ou “extrovertido” implica que isso é o que somos, e com isso vêm as conotações de permanência.

Mas os seres humanos são mais maleáveis do que pensamos, e nosso fascínio por rótulos pode nos impedir de ver que podemos mudar e crescer.

 

 

Tipos Psicológicos e desenvolvimento do ser

A essencialidade do autoconhecimento para a plenitude do ser, discorrendo-se sobre a dinâmica, o balanceamento e o desenvolvimento dos Tipos Psicológicos.

Introdução

Conta-se que um amigo de Sócrates perguntou à pitonisa do templo do oráculo de Delfos quem era o maior sábio da Grécia, tendo essa vidente respondido prontamente: “Sócrates de Atenas”. Ao saber disso, o filósofo disse ao amigo: “Sabes por que a profetisa me considera o mais sábio de todos? É porque eu conheço a minha ignorância…”. Para os socráticos, o conhecimento da própria ignorância é o início da sapiência.

Nesse contexto, acrescentamos a percepção de Jung de que o grande pecado do ser humano é a inconsciência de si mesmo. Combinando as perspectivas desses dois pensadores, descortina-se um quadro com o pior dos cenários em que o indivíduo ignora a própria ignorância sobre o seu EU.

Considerando que o agir segue ao ser (agere sequitur esse), concluímos que somente sabendo quem verdadeiramente somos é que poderemos agir em conformidade com o nosso ser e tornarmo-nos cada vez mais plenos.

Retornando a Delfos, constata-se a essencialidade atribuída ao autoconhecimento desde a Antiguidade por este alerta inscrito no portal do santuário lá erigido para consagração a Apolo: “Conhece-te a ti mesmo” (gnôth seautón). Esse preceito tornar-se-ia não apenas o mote do pensamento de Sócrates, mas também o princípio basilar do saber filosófico grego.

Já se pensava naquele tempo que o indivíduo não pode conhecer o mundo ao redor dele (kósmos), nem o mundo acima dele (theós), sem primeiro conhecer o mundo dentro dele (ânthrophos), pois ele emprega o seu próprio EU para conhecer.

Os objetivos da identificação do Tipo Psicológico

Os objetivos fundamentais da identificação do Tipo Psicológico contemplam o desenvolvimento do ser, a partir do aprofundamento de seu autoconhecimento, e a melhoria de interação entre as pessoas, a partir do maior entendimento dos modos operativos dos outros.

A identificação do Tipo Psicológico possibilita uma melhor compreensão das características pessoais e suas implicações mais frequentemente associadas a cada tipo.

Características pessoais e implicações associadas ao Tipo Psicológico

Pontos fortes e comportamentos eficazes; pontos cegos, áreas potenciais para crescimento e barreiras potenciais à eficácia comportamental; como os outros o veem; modo de aprendizado; fatores motivacionais; carreiras profissionais, ambientes de trabalho, tarefas e papéis mais atraentes; estilo geral de trabalho; padrões de comunicação; atuação em grupo; relacionamento com mudanças; estilo geral de liderança; mentalidade empresarial; processo decisório; administração de conflitos; resolução de problemas; comportamentos relacionados ao estresse.

Tendo em mente os objetivos fundamentais da identificação do Tipo Psicológico, podemos vislumbrar o amplo escopo de sua aplicabilidade, abrangendo, entre outros: Relacionamentos; Carreiras; Educação; Espiritualidade; Aconselhamento; Psicoterapia; Coaching; Processos Organizacionais (liderança, desenvolvimento de equipes, comportamento organizacional em geral).

As preferências dos Tipos Psicológicos

A identificação do Tipo Psicológico caracteriza quatro preferências pessoais básicas. A intenção é apontar uma escolha habitual do indivíduo entre alternativas opostas (dicotomias), assumindo-se que este use ambos os polos de cada uma das quatro preferências, mas que responda primeiro ou mais frequentemente com as suas funções e atitudes preferenciais. Esse processo não se presta para avaliação de habilidades, estresse, inteligência, patologias psíquicas, emoções e maturidade.

Por meio dessa identificação a pessoa toma ciência das preferências de suas funções mentais relativas às formas de (1) Percepção dos estímulos externos que lhe chegam (Sensação ou Intuição – S ou N) e (2) Julgamento para tomar decisões (Pensamento ou Sentimento – T ou F) a partir desses estímulos. Também possibilita observar as atitudes preferenciais do indivíduo relativas a: (3) Direcionamento de energia vital (Extroversão ou Introversão – E ou I) e (4) Relacionamento com o mundo externo (Percepção ou Julgamento – P ou J).

Funções mentais

(1) Percepção: – Qual destas descrições parece ser mais natural e confortável para você?

Sensação (S): Presto atenção à realidade física, o que eu vejo, ouço, toco, saboreio e cheiro. Preocupo-me com o que é real, presente, atual. Observo atos e lembro-me de detalhes que são importantes para mim. Gosto de ver a aplicação prática das coisas e aprendo melhor quando vejo como usar o que estou aprendendo.

Intuição (N): Presto atenção às impressões ou ao significado e padrões da informação que me chega. Aprendo melhor pensando sobre o problema do que por experiência prática. Interesso-me por novas coisas e pelo que pode ser, de forma que penso mais sobre o futuro do que o passado. Gosto de trabalhar com símbolos ou teorias abstratas, mesmo que não saiba como as aplicarei. Lembro-me de eventos mais como impressão do que aconteceu do que dos fatos reais que ocorreram.

(2) Julgamento: · Qual destas descrições parece ser mais natural e confortável para você?

Pensamento (T): Quando decido, gosto de encontrar a verdade ou o princípio básico a ser usado como referência, independentemente da situação específica em questão. Gosto de analisar os prós e os contras e de, então, ser consistente e lógico no processo decisório. Tento ser impessoal, de forma que não deixo que meus desejos pessoais – ou de outros – me influenciem.

Sentimento (F): Acredito que posso decidir melhor ponderando aquilo com que as pessoas se importam e os seus pontos-de-vista. Preocupo-me com valores e com o que é melhor para as pessoas envolvidas. Gosto de optar pelo que estabelecerá ou manterá a harmonia. Em meus relacionamentos, pareço ser cuidadoso, caloroso e diplomático.

Atitudes

(3) Direcionamento de energia vital: · Qual destas descrições parece ser mais natural e confortável para você?

Extroversão (E): Sinto-me energizado por envolvimento ativo em eventos e diferentes atividades. Acho excitante estar junto a pessoas e aprecio estimular os outros. Gosto de entrar em ação e fazer coisas acontecer. Em geral sinto-me em casa no mundo. Muitas vezes entendo melhor um problema quando falo sobre ele e ouço o que os outros acham do mesmo.

Introversão (I): Sinto-me energizado ao lidar com ideias, imagens, memórias e reações alojadas no meu mundo interno. Muitas vezes prefiro fazer as coisas sozinho, ou junto a uma ou duas pessoas com as quais me sinto confortável. Despendo tempo refletindo para que tenha uma ideia clara do que fazer quando decidir agir. Ideias são quase coisas concretas para mim. Às vezes prefiro a ideia da coisa do que a coisa em si.

(4) Relacionamento com o mundo externo: · Qual destas descrições parece ser mais natural e confortável para você?

Percepção (P): Uso minha função mental de Percepção (Sensação ou Intuição) no meu mundo externo. Para os outros, pareço ter um estilo de vida flexível e espontâneo. Prefiro entender e adaptar-me ao mundo do que tentar organizá-lo. Os outros me veem como uma pessoa aberta a novas experiências e informações.

Julgamento (J): Uso minha função mental de Julgamento (Pensamento ou Sentimento) no meu mundo externo. Para os outros, pareço ter um estilo de vida planejado ou disciplinado. Gosto de lidar com coisas estruturadas e organizadas. Sinto-me mais confortável quando decisões são tomadas e procuro ter a vida sob controle tanto quanto possível.

Devemos ter cuidado para não confundirmos a denotação da terminologia adotada para as preferências dos tipos psicológicos com a conotação desses termos no senso comum: Extrovertido não significa “tagarela”, Introvertido não significa “tímido”, Sentimento não significa “sentimental”, Julgamento não significa “juízo de valor” e Percepção não significa “perspicaz”.

Outro pressuposto da tipologia de personalidade é que sempre uma das duas funções mentais (Percepção ou Julgamento) se apresentará na atitude Extrovertida (E) e a outra na atitude Introvertida (I) – independentemente de a pessoa ter como preferência de atitude de direcionamento de energia vital a Extroversão (E) ou a Introversão (I).

Dessa maneira, se a preferência de atitude para o mundo externo (“modo extrovertido”) por parte do indivíduo for a Percepção (P), este terá uma função mental de Percepção – S ou N – necessariamente extrovertida e, consequentemente, terá uma função mental de Julgamento – F ou T- introvertida.

Enquanto a função mental extrovertida caracteriza-se por apresentar uma estrutura de referência externa, amplitude, ação, contemporaneidade, coletividade, objetividade e ser energizada na interação, a função mental introvertida caracteriza-se por apresentar uma estrutura de referência interna, profundidade, reflexão, atemporalidade, individualidade, subjetividade e ser energizada na solitude.

Os dezesseis Tipos Psicológicos são denominados por meio das combinações de oito letras (E, I, S, N, F, T, P, J) designando quatro preferências individuais, as quais, quando observadas isoladamente, apresentam características comportamentais próprias que são moldadas quanto configuradas em conjunto.

Em outras palavras, um tipo ISTJ não é simplesmente a “soma” das características dessas quatro letras consideradas per si, mas uma interação destas entre si.

Tipos Psicológicos

A Dinâmica dos Tipos Psicológicos

As quatro funções mentais (S, N, F, T) têm áreas específicas de especialização, sendo direcionadas para diferentes domínios de atividade.

Se todas as funções mentais tivessem pesos iguais, a personalidade ficaria sob a égide de propósitos cruzados, carecendo de um direcionamento consistente.

Na teoria dos Tipos Psicológicos, uma das funções mentais é a principal (função mais consciente e desenvolvida de todas), sendo sua oposta a inferior (função menos consciente e diferenciada de todas); outra destas será a auxiliar (função secundária que fornece equilíbrio para a principal), sendo sua oposta a terciária (função menos consciente do que a principal e a auxiliar).

Assim, por exemplo, um tipo ENFP apresenta a Intuição (N) como função principal, o Sentimento (F) como função auxiliar, o Pensamento (T) como função terciária (oposta à auxiliar) e a Sensação (S) como função inferior (oposta à principal).

Nesse exemplo, a função principal Intuição (N) – uma função de Percepção – apresenta-se na atitude Extrovertida (E) – note que a atitude para o mundo externo (“modo extrovertido”) do ENFP é a Percepção (P). Essa função principal é equilibrada pela função auxiliar Sentimento (F) – uma função de Julgamento – que se apresenta nesse caso na atitude Introvertida (I). Observe ainda que esse tipo apresenta como atitude de direcionamento de energia vital a Extroversão (E).

Ressalta-se, por fim, que todas as funções mentais da pessoa são importantes, mas a secundária, a terciária e a inferior são subordinadas e servem aos objetivos da principal que mantém sob seu controle a maior parte da energia psíquica disponível.

O balanceamento dos Tipos Psicológicos

Tendemos a pensar que balanceamento do Tipo Psicológico significa manter-se equilibrado no meio da escala entre duas preferências opostas. Na verdade, esse balanceamento refere-se ao grau em que a função principal e a função auxiliar estão operando em conjunto: a função de Percepção – S ou N – e a função de Julgamento – F ou T – comunicando-se entre si e fazendo com que se despenda um tempo adequado (mas não igual) em atitudes Extrovertidas (E) e atitudes Introvertidas (I).

Dito de outra forma, balanceamento em tipologia de personalidade refere-se a não se vivenciar demasiadamente a Percepção (ser “muito P”) em detrimento do Julgamento – obtendo muitos dados com poucas decisões – ou, ao contrário, se exercitar exageradamente o Julgamento (ser “muito J”) em detrimento da Percepção – fechando questões muito rapidamente sem informações suficientes para decidir.

A regulação do grau que a pessoa se engaja no mundo interno ou externo, estimulando a função mental (S ou N e F ou T) de cada atitude (E ou I), é um ponto de alavancagem eficaz para o balanceamento do seu Tipo.

O desenvolvimento dos Tipos Psicológicos

A teoria junguiana da tipologia de personalidade estabelece que nossas preferências são determinadas e imutáveis, mas o grau de uso dos elementos de todos os Tipos Psicológicos está continuamente em desenvolvimento.

O sucesso em qualquer empreendimento da vida demanda que cada função mental seja usada em variados graus, em diferentes momentos. Entretanto, não se deve buscar o desenvolvimento equitativo de todas as funções mentais desde que, por natureza, não as usamos da mesma forma. As pessoas tornam-se mais eficazes quando desenvolvem seu estilo natural e aprendem a usar as suas funções não preferidas em situações apropriadas.

Em síntese, o objetivo maior nesse processo é desenvolver adequadamente uma função mental mais consciente dominante (função principal) e uma função mental menos consciente e compensatória de equilíbrio (função auxiliar). Em adição, deve-se adquirir certas habilidades necessárias pertinentes às funções mentais menos desenvolvidas (funções terciária e inferior) para uso consciente e objetivado destas em tarefas selecionadas ou por períodos limitados de tempo.

O crescimento pessoal e a construção sobre as diferenças  

A conscientização sobre o Tipo Psicológico, suas características e implicações, pode auxiliar o indivíduo a desenvolver uma maior aceitação dele mesmo e uma percepção mais acurada da rota adequada para o seu crescimento pessoal. Corrobora-se, assim, o pensamento de Heráclito de que todos têm a capacidade de se conhecer e de agir com adequação.

Em adição, quando percebemos que as pessoas se comportam de maneiras que são extensões naturais de seu Tipo, passamos a compreender melhor e a valorizar mais o outro, pavimentando assim o caminho para o desenvolvimento interpessoal – construindo sobre as diferenças.

É da obrigação moral de cada um buscar sempre a melhor condição possível para alcançar a harmonia integral do seu ser. Esse é um processo que nunca tem fim e que exige uma melhoria contínua de sua própria dinâmica. O indivíduo é o melhor instrumento de si mesmo, sendo o autoconhecimento a quintessência do modus operandi de refinamento desse instrumento.

Sobre o Autor

Absolon Macedo – Consultor e professor de pós-graduação de Filosofia do Comportamento Humano e de Liderança e Comportamento Organizacional, com diversas graduações internacionais, de Engenharia, passando por Administração, Psicologia Geral e Analítica das Organizações, Filosofia e Sociologia do Trabalho e da Saúde Mental, chegando à formação em Psicologia do Comportamento Social no CAPT-OKA/EUA, com Treinamento em diversos institutos Junguianos dos EUA e Aperfeiçoamento no Jung Institut Zurich/Suíça;  qualificação e certificação para aplicação do MBTI®  (Steps 1, 2 e 3) e do PMAI (Estrutura Arquetípica) pelo CAPT/EUA, e do EQ-2.0/EQ – 360 (Inteligência Emocional) pelo MHS/EUA, além de participante ativo dos Programas da Fellipelli Consultoria Organizacional.

Referências bibliográficas

  • MYERS, I.; MYERS, P. Ser humano é ser diferente. São Paulo: Gente, 1997.

  • JUNG, Carl. Tipos psicológicos. Petrópolis: Vozes, 2011.

  • GANEM, E.; PEREIRA, F. A. Tipologias e Arquétipos. Florianópolis: Insular, 2014.

  • MARTIN, Charles. Looking at type: your career. Gainsville: CAPT, 2009.

  • MYERS, K.; KIRBY, L. Type dynamics and development. Mountain View: CPP, 1994.

  • HIRSH, S.; KISE, J. Introduction to type and coaching. Mountain View: CPP, 2000.

  • PEARMAN, Roger. Enhancing leadership effectiveness through type. Gainsville: CAPT, 1999.

  • PEARMAN, Roger. Introduction to type and emotional intelligence. Mountain View: CPP, 2002.

  • LAWRENCE, G.; MARTIN, C. Building people, building programs. Gainsville: CAPT, 2001.

  • NASH, S.; BOLIN, C. Teamwork from the inside out. Palo Alto: Davies-Black, 2003.

  • KROEGER, O.; THUESEN, J.; RUTLEDGE, H. Type talk at work. Fairfax: OKA, 2003.

Para aprofundamento no assunto, assista à palestra: “Tipos Psicológicos: Construindo sobre as Diferenças” por meio do link https://youtu.be/Sfmx-shvIHA.

Tema: MBTI®

Subtema:MBTI® e seu amplo escopo de aplicabilidade para desenvolvimento pessoal e profissional.

Objetivo: Autoconhecimento, Autodesenvolvimento, Desenvolvimento de Carreira, Desenvolvimento de Equipes, Desenvolvimento de Liderança, Desenvolvimento Organizacional, Coaching, Coaching nas Empresas.

TIPOS PSICOLÓGICOS – ATITUDES E FUNÇÕES

No ano de 1921, Jung publica o resultado de um de seus estudos mais importantes no contexto da personalidade humana. A obra Tipos Psicológicos proporcionou uma intensa contribuição, pois este estudo identificou um certo número de processos psicológicos básicos, descrevendo também de que forma esses processos se ligam em diversas combinações para a determinação do caráter de uma pessoa.

Os Tipos Psicológicos consistem num sistema de combinações entre Atitudes e Funções.

O Psiquiatra Suíço Carl Gustav Jung (1875-1961) nos deixou um importante legado que nos remete à distinção entre as atitudes básicas do ser humano e suas mais variadas dimensões. Para que possamos entender melhor essa distinção entre as atitudes de Introversão e Extroversão, é preciso compreender a essência entre dois outros termos que pretendo abordar neste pequeno artigo: Objetivo e Subjetivo.

O Termo “objetivo” nos leva à compreensão de tudo aquilo que está conectado com o Mundo Externo (o não-eu). Já o termo Subjetivo nos dá o entendimento de tudo o que se faz presente no Mundo Interno, o que nos orienta à percepção do próprio eu.

Através desse segmento proposto por Jung, conclui-se que na Extroversão, a libido é direcionada ao mundo exterior objetivo, e se aplica às questões das percepções, pensamentos e sentimentos que se referem a objetos, pessoas e animais, e também às outras circunstâncias como as pressões do ambiente. Na Introversão, a libido é direcionada para o mundo interno Subjetivo, fluindo para as estruturas e os processos psíquicos conectados com o próprio eu.

No entanto, é preciso deixar claro que o sujeito pode se demonstrar extrovertido e alguns momentos e introvertido em outros. Porém, uma dessas atitudes é predominante. Quando predomina a objetividade, o indivíduo é qualificado como Extrovertido e quando se pondera que uma pessoa é subjetiva, qualifica-se como Introvertida.

O ser humano introvertido se interessa muito pelo seu mundo interno; se apresenta mais introspectivo diante das circunstâncias, geralmente é muito retraído, esboçando traços de timidez em muitos casos, sendo assim, muito preocupado com suas próprias questões ligadas ao seu interior. Devido à maneira que se orienta para a sociedade, ele parece aos olhos externos, alguém anti-social e extremamente reservado.

O sujeito Extrovertido se preocupa com as questões relacionadas ao externo, é mais direcionado aos relacionamentos com as pessoas e as coisas. Ele se apresenta para a sociedade de uma forma diferente, dando à impressão de ser mais ligado, ativo e amistoso com tudo aquilo que o cerca.

A distinção entre essas duas atitudes da psique fica dimensionada da seguinte forma em nossa mente: A Atitude oposta àquela demonstrada pelo consciente, fica presente de maneira significativa no inconsciente. Assim, podemos concluir que o Extrovertido Consciente, na verdade é um Introvertido Inconsciente e vice-versa.

Vamos agora, compreender um pouco sobre as Funções Psicológicas propostas por Jung.

Carl Gustav Jung (1875-1961), nos deixou um ensinamento muito importante e determinante no contexto do Funcionamento da psique. Este ensino nos remete as Quatro Funções Psicológicas:

Pensamento;
•Sentimento; •Sensação; •Intuição.

Jung divide as Funções Psicológicas em dois grupos:

As Irracionais (Percepção): Sensação e Intuição;
•As racionais (Julgamento): Pensamento e Sentimento.

O Pensamento é uma função psicológica que tem a missão de associar idéias umas as outras para que se possa chegar a uma conclusão e uma solução de um determinado problema. É uma função intelectual, com o objetivo de compreender as coisas. As principais características do Pensamento são: A lógica, a racionalidade, a objetividade e a busca pelos resultados.

A Função Sentimento é avaliadora, o trabalho exercido por ela consiste em aceitar ou rejeitar uma idéia, definindo-a como agradável ou desagradável. Suas principais características são: A Afetividade, a conciliação, o zelo por sua subjetividade e seus relacionamentos emocionais com as pessoas.

Segundo Jung, a Sensação é uma percepção sensorial que consiste em todas as experiências conscientes produzidas pelos órgãos dos sentidos: Visões, ruídos, cheiros, paladares e todas as sensações que se originam no interior do nosso corpo. As características principais que nos remetem a essa função são: A utilização dos Cinco Sentidos, a percepção de algo concreto, o senso da realidade e a realização. Esta função também é muito ligada com o “Aqui e Agora”.

A Intuição não exige nenhum julgamento, pois o indivíduo não sabe de onde ela vem, nem de onde se origina. Esta função também é muito conhecida como percepção extra-sensorial. Suas principais características: O Sexto Sentido, Imaginação, Visão de futuro, forte criatividade e facilidade para enxergar novas possibilidades.

Esses quatro tipos funcionais correspondem aos recursos óbvios através dos quais a consciência obtém sua orientação para a experiência.”
(Carl Gustav Jung)

A Sensação nos diz que uma coisa existe, o Pensamento nos diz o que é essa coisa, o Sentimento nos informa se a coisa é agradável ou não, e a Intuição nos diz de onde ela vem e para onde ela vai.

Na realidade, todos nós temos as Quatro funções Psicológicas, porém existe a Função Principal (onde me sinto mais confortável), a Auxiliar, a Terciária e a Inferior (função que exige algo a mais de mim / consiste na atuação da Sombra).

Ex: Se minha função principal for o Pensamento Introvertido, minha função inferior será Sentimento Extrovertido. (100% oposto).

TIPOS PSICOLÓGICOS E SUAS FUNÇÕES INFERIORES

1. Tipo Pensamento Introvertido:
Pessoas com esse tipo dão valor as idéias do ponto de vista do sujeito, não do objeto. Eles se mostram interessados pela produção de idéias novas. Facilmente se perdem no mundo da fantasia. Não são práticos, são mais teóricos. Função Inferior: Sentimento Extrovertido.

2. Tipo Pensamento Extrovertido:
O Pensamento Extrovertido carrega em si uma vida governada pelo pensamento. Costumam ser indivíduos com organização e praticidade. Função Inferior: Sentimento Introvertido.

3. Tipo Sentimento Introvertido:
São personalidades difíceis de serem compreendidos, pois seu exterior pouco revela. Pessoas do tipo Sentimento Introvertido transmitem uma leve impressão de não possuírem nenhuma espécie sentimento. São pessoas reservadas e também demostram tendencia a serem autoritárias. Função inferior: Pensamento Extrovertido

4. Tipo Sentimento Extrovertido:
Os indivíduos que carregam em si o Tipo Sentimento Extrovertido sempre estabelecem relações de profunda harmonia com o ambiente. O pensamento está subordinado ao sentimento. São vulneráveis ao objeto amado. Fazem amizades com extrema facilidade, pois possuem uma boa conversa. Função Inferior: Pensamento Introvertido.

5. Tipo Sensação Introvertida:
Os indivíduos do Tipo Sensação Introvertida carregam em si a intensidade da sensação subjetiva. Possuem uma tendência recuar do mundo exterior e seus dilemas. Há uma separação entre a consciência e o corpo físico. Demosntram intensa dificuldade de compreender a si próprios. Função Inferior: Intuição Extrovertida.

6. Tipo Sensação Extrovertida:
São indivíduos que têm percepção dos fatos bem desenvolvida. Costumam procurar por pessoas ou situações que lhe proporcionem fortes sensações. Essas pessoas concentram sua atenção para o físico, possuindo um bom gosto estético. São pessoas que costumeiramente não se esquecem de seus compromissos e são sempre bem rígidos com a pontualidade. Função Inferior: Intuição Introvertida.

7. Tipo Intuição Introvertida:
Indíviduos do Tipo Intuição Introvertida são mais direcionadas para os conteúdos do inconsciente. Não são muito comunicativas e geralmente são mal compreendidos pelo outro. São mais ligados às questões da espiritualidade, carregando em si uma misteriosa capacidade de pressentir o futuro. Função Inferior: Sensação Extrovertida.

8. Tipo Intuição extrovertida:
São pessoas que possuem uma grande capacidade para perceber as coisas ao seu redor. Enxergam o mundo através de uma percepção externa. Estão sempre à espera de novos horizontes e de novas oportunidades. O Tip Intuição Introvertida não são muito ligados às quesões relacionadas ao corpo, não percebendo quando estão cansados ou famintos. Sentem-se prisioneiros em várias situações que apresentam estabilidade. Função Inferior: Sensação Introvertida.

Qual será a sua Atitude predominante?
Qual será a sua Função Psicológica principal?

Referências Bibliográficas: HALL, C.S; Nordby, V.J. Introdução à Psicologia Junguiana. Ed. Cultrix, SP, 2003.

 

 

Reflexões sobre diagnóstico psiquiátrico à luz da psicologia analítica

Introdução

Antes de adentrarmos no foco da discussão, trataremos, em linhas gerais, sobre o percurso traçado por Jung na elaboração de sua teoria, bem como sobre alguns conceitos centrais para a compreensão da mesma. Jung nasceu em 1875, em Kesswil, Suiça. Em 1895, entrou no curso de medicina da Universidade de Basiléia. Em 1900, especializou-se em psiquiatria e iniciou seu trabalho na clínica psiquiátrica, no hospital Burghölzli, em Zurique, como assistente de Bleuler (Silveira, 1981).

O problema que ocupava o primeiro plano o interesse de pesquisa desse autor era o seguinte: o que se passa no espírito do doente mental? (Jung, 2006). Do ponto de vista clínico, os médicos não se ocupavam com o doente mental enquanto ser humano, enquanto individualidade, restringindo-se a um diagnóstico psiquiátrico, com base na descrição de sintomas e dados estatísticos. Sob esse aspecto, uma vez com o diagnóstico pronto, o caso era encerrado e, dessa forma, a psicologia do doente mental não desempenhava pepel algum. (Jung, 2006).

Sobre isso, Jung (2006) destacava a importância das contribuições de Freud para as pesquisas que desenvolveu posteriormente. Nesta situação, Freud foi essencial, principalmente devido às suas pesquisas fundamentais sobre a psicologia da histeria e do sonho. Assim, Jung (2006) fazia referência a Freud por ter introduzido a questão psicológica na psiquiatria.

Em 1901, orientado por Bleuler, Jung começou a pesquisar, em sua tese de doutorado sobre a cisão de idéias na esquizofrenia e o fez através de experiências de associação, através das quais se podia penetrar na psicologia dos doentes (Jung, 2006). Por meio dessas experiências de associação verbal, Jung pretendia trazer esclarecimentos sobre a estrutura psicológica da esquizofrenia. Tais experiências transformaram-se em um método de exploração do inconsciente e conduziram Jung à descoberta dos complexos afetivos, o que se tratou da primeira contribuição do autor para a psicologia moderna. (Silveira, 1981).

Em seus estudos “A psicologia da demência precoce” (1907) e “O conteúdo das psicoses” (1908), Jung mostrou que, mesmo em distúrbios mais graves, é possível decifrar o sentido de sintomas de aparência desconexa, neles encontrando elos causais. Além disso, era preciso tomar em consideração certos fenômenos inegáveis que, entretanto, escapavam ao determinismo, como a coincidência de estados psíquicos e de acontecimentos físicos sem relações causais entre si, tais como sonhos, visões, premonições, por exemplo (Silveira, 1981).

 

Referencial teórico

Entende-se que um conceito é um nome descritivo, um termo geral aplicado a um grupo de fatos, sendo tanto mais útil quanto mais amplamente puder ser utilizado. Em sua teoria, Jung se utilizava de conceitos que têm um escopo muito vasto e, conseqüentemente, a explicação de tais conceitos é bastante limitada se comparada com a vastidão de aplicações e ramificações que podem ter. O próprio autor dizia propositalmente procurar se expressar por uma linguagem com duplo sentido, visto que esse duplo aspecto corresponde à natureza da psique, sendo, portanto, preferível a uma expressão de sentido único (Jung, 1962 apud Jung, 1985). Por outro lado, Jung dedicava-se a definir com precisão os termos por ele empregados.

Recomendava, porém, cautela com o apego exagerado aos próprios conceitos (Jung, 1985). Insistia em defender a prioridade dos fatos observados em relação às teorias, buscando primeiramente circunscrever e descrever os fenômenos psíquicos tais como eles se apresentam, sem a preocupação de encaixá-los numa teoria. O autor definia-se um empirista, um prático, permanecendo no nível fenomenológico, o que podemos perceber quando ele afirma: “Aos meus olhos, cada novo caso quase que consiste em uma nova teoria. (…) O que me perturba não são as teorias e sim um grande número de fatos” (Jung, 1985, p.32). Assim, para levarmos adiante nosso estudo, é preciso compreendermos como Jung entendia o psiquismo do ser humano, ainda que em linhas gerais.

Segundo o Jung (1985), em um primeiro plano, lida-se com a consciência, fenômeno observável ao qual se acessa diretamente. Dessa forma, não há nada consciente que antes não se tenha apresentado ao sujeito, ou seja, um conteúdo só é considerado consciente porque está em relação com um fator complexo denominado “eu”, ou simplesmente, ego (Jung, 1985). Eis o critério para que algo seja considerado consciente.

Jung (1985) explica o “eu” como sendo um complexo de fatos psíquicos, inicialmente formado por uma percepção geral de nosso corpo e existência e, a seguir, pelos nossos registros de memória. Pode ser compreendido como o centro do campo da consciência, embora não seja equivalente à psique total.

A consciência é um campo restrito de visão momentânea. É característica do eu a seletividade, “certa estreiteza”, apreendendo poucos dados em um determinado momento e definindo, assim, as limitações do sujeito. A organização percebida é resultado de uma sucessão de momentos conscientes que dá a impressão de continuidade e de identidade, pois também é graças ao “eu” que é possível sentir ser quem se é dia após dia (Jung, 1982).

O complexo do eu atua com uma força de atração poderosa, capaz de atrair conteúdos de outros campos que não sejam a consciência. Fornece um sentido de direção e consistência para a consciência, ainda que frágil. Dessa forma, O “eu” é sujeito de todos os esforços de adaptação do indivíduo. Essa função adaptativa é central para a compreensão do complexo do eu, bem como da consciência em Jung.

No âmbito da psicopatologia, então, é que tal função mostra claramente sua importância. Sobre isso, diz Jung (1985): “(…) enquanto esse homem puder explicar-se e eu sentir que podemos manter contacto, afirmarei que ele não está louco”. Nesse sentido, quando constatamos um colapso dessa função adaptativa, é que se pode pensar em loucura, concepção extremamente relativa, como diz Jung (1985). Adiante a essa questão será abordada de modo mais detalhado, mas, por enquanto, ressalta-se a importância da função adaptativa, visto que até que ponto há uma diferenciação entre “normal” e “patológico” para a psicologia analítica.

Ao retomar o conceito de consciência, Jung (1985) fala, então, de uma “consciência do eu”, reforçando, assim, o fato de que a consciência não equivale a toda a psique, e o “eu” também não dá conta da consciência como um todo:

Teoricamente, é impossível dizer até onde vão os limites do campo da consciência, porque este pode estender-se de modo indeterminado. Empiricamente, porém, ele alcança sempre o seu limite todas as vezes que toca o âmbito do desconhecido. (Jung, 1982, p.1)

O “desconhecido” é tudo aquilo que não possui relação com o “eu” (Jung, 1982), em outras palavras, é tudo que foi ignorado, não selecionado pela consciência. A esse respeito, Jung (1982) diz ser possível identificar dois grupos: o desconhecido do meio ambiente (fatores externos) e o desconhecido do mundo interior, ou seja, o inconsciente.

Este é referido por Jung (1986) como a soma dos processos que não são percebidos por não possuírem intensidade suficiente para ultrapassar o limiar que divide o que está consciente do que está inconsciente. Assim, um conteúdo inconsciente pode estar temporariamente subliminar, sendo reproduzível voluntariamente; pode não ser reproduzível segundo nossa vontade, mas irromper espontaneamente na consciência; e ainda pode ser totalmente incapaz de se tornar consciente, entrando nesse critério tudo aquilo que jamais irrompeu na consciência (Jung, 1982).

Como já foi citado, lida-se com a consciência em um primeiro plano, ou seja, de modo direto. Entretanto, a psique inconsciente não pode ser diretamente explorada por estar a um nível desconhecido, inacessível, sendo o ser humano capaz de lidar apenas com seus produtos conscientes, em um segundo plano (Jung, 1985).

Por conta disso, é desconhecido tudo a respeito do inconsciente em si: “Não se pode dizer coisa alguma a respeito daquilo sobre o qual nada se sabe. […] Há apenas provas indiretas sobre a existência de uma esfera de ordem subliminar” (Jung, 1985, p.4). Para Jung, entretanto, é fato que “algo atua” quando nossa consciência falha, o que percebemos através de produtos de elementos inconscientes que atingem o campo consciente. Didaticamente serão abordadas duas espécies de produtos observados por Jung, entretanto, sem nos alongarmos em demasia nessas definições.

Dentre tais produtos, existe uma espécie de material reconhecível, de origem pessoal. São aquisições do indivíduo que têm papel de completar sua personalidade. Há também conteúdos esquecidos ou reprimidos, além dos dados criativos, os quais podem se tornar conscientes, quando necessários. A esse grupo de elementos pessoais e que compõem a personalidade individual, Jung (1982) denominou inconsciente pessoal. Como exemplos de tais elementos, existem as idéias, percepções, traços de acontecimentos, representações penosas de serem lembradas ou carregadas de forte potencial afetivo, incompatíveis com a atitude consciente.

O outro grupo de dados observados por Jung tem sua origem desconhecida, ou pelo menos, com certeza, não são aquisições pessoais. É como se pertencessem à humanidade em geral, e não a uma psique individual. Representam uma base da psique em geral, universalmente presente e sempre idêntica a si mesma: “A mente do homem é pré-figurada pela evolução” (Jung, 1982). São fatores próprios do humano, sendo, pois, de natureza coletiva, impessoal. A estes, Jung denominou de inconsciente coletivo, obviamente, como uma hipótese resultante da espécie de material colhido ao longo da experiência clínica.

O inconsciente, dessa forma, jamais se acha em repouso, sempre agrupando e reagrupando conteúdos, sendo tal atividade, em geral, coordenada com a consciência, mas podendo se tornar completamente autônoma em certos casos (Jung, 1986). Tarefa fundamental do inconsciente nos indivíduos é o estabelecimento da compensação e o equilíbrio, no qual todas as tendências extremistas da consciência mostram-se atenuadas e suavizadas pelo impulso contrário inconsciente. Partes essenciais do inconsciente são os chamados erros compensatórios, os quais são caracterizados por compensar virtudes conscientes (Jung, 1986). Em oposição, as virtudes do inconsciente compensam certos defeitos conscientes. Jung (1986) aponta que os sonhos, por exemplo, revelam bastante sobre as ações compensatórias.

Ao afirmar que as intuições em pessoas normais não resultam de combinações lógicas do consciente, Jung (1986) as compara com as alucinações e ideias delirantes dos doentes mentais, pois estas últimas também não surgem de processos conscientes, mas sim, através de manifestações do inconsciente. Jung (1986) afirma que as alucinações e as ideias delirantes surgem uma vez que seus conteúdos inconscientes conseguem ultrapassar o limiar da consciência, e dessa maneira, manifestam-se nas ideias, pensamentos ou ações do indivíduo. Com isso, a atividade inconsciente aparece com maior claridade nos distúrbios de natureza psicogênica, tais como histeria e neurose obsessiva.

Segundo o autor (Jung, 1986), o “equilíbrio mental” não se mostra apenas como uma figura de linguagem, mas define, de certa forma, a relação de equilíbrio entre o conteúdo consciente e o inconsciente. Em pessoas anormais, apresenta-se bastante característica a recusa em aceitar a influência compensatória do inconsciente e essa irrupção atípica da atividade reguladora do inconsciente para com a consciência altera o ajustamento da pessoa ao meio em que vive. Assim, para Jung (1986), o sujeito tenta se defender contra seu próprio inconsciente, lutando contrariamente às influências compensatórias. Um estado de excitação que desencadeia uma grande desarmonia entre as tendências inconscientes e conscientes apresenta-se como o resultado desse duelo. Esclarece, ainda, que, quando o inconsciente começa a se sobrepor bruscamente à consciência, o sujeito encaminha-se para a doença. Esse conflito interno é marcado por incompreensíveis pensamentos, humores estranhos e alucinações.

Quando investigamos a história de vida de uma pessoa em que isto aconteceu, descobrimos com frequência que ela já vivia num estado peculiar de isolamento, fechada com maior ou menor intensidade para o mundo real. Esse estado de isolamento pode ser atribuído a certas singularidades inatas ou adquiridas na infância, as quais sempre se manifestam ao longo da vida. (Jung, 1986, p. 190)

De acordo com Jung (1986), o início de um processo de cura deveria começar quando impulsos corretivos ou compensações se manifestam na consciência. No entanto, o próprio autor diz que isso não acontece, uma vez que a consciência não se encontra capaz de aceitar esses impulsos corretivos oriundos do inconsciente (Jung, 1986). Devido a isso, essas influências compensatórias conseguem apenas irromper na consciência de maneira curiosa ao lutarem contra as resistências existentes, apresentando-se de forma bastante distorcida para o paciente, manifestando-se, assim, somente através da heterogênea linguagem do inconsciente.

A função do inconsciente nos distúrbios mentais, portanto, caracteriza-se pela compensação do conteúdo da consciência e essa função se evidencia quando tendências inconscientes se manifestam na consciência (Jung, 1986). Contudo, estas tendências conseguem se adaptar aos objetivos unilaterais da consciência e, consequentemente, brotando apenas de maneira inaceitável e distorcida (Jung, 1986).

Dentro dessa dinâmica, um aspecto importante apontado por Jung (1985) em sua teoria é o conceito de complexo, sendo este desenvolvido a partir de experiências que ele realizava com alguns de seus pacientes. Tais experiências ou testes de associação de palavras, segundo ele, tratam-se de um método de análise do inconsciente e consistem, basicamente, na emissão de uma lista de palavras-estímulo a uma pessoa, a qual responde com outra palavra após ouvir a palavra estímulo (Silveira, 1981).

Jung verificou que nessas respostas ocorriam, frequentemente, certos distúrbios. Essas reações aconteciam de várias maneiras como, por exemplo, a memória falhava, a pessoa respondia com expressão facial, movimentava as mãos ou gaguejava na hora de responder (Silveira, 1981). Segundo Jung, esse desconforto ou perturbação diante da palavra estímulo ocorria porque esta palavra atingia um complexo, o qual se trata de “[…] uma conglomeração de sentimentos estranhos ou dolorosos, normalmente inacessíveis ao contato exterior” (Jung, 1985, p.44).

Jung nos diz que os distúrbios de reação causados pelos complexos não ocorrem sob o domínio da vontade. Segundo ele, “Um complexo é um aglomerado de associações, espécie de quadro de natureza psicológica mais ou menos complicada, às vezes de caráter traumático, outras, apenas doloroso e altamente acentuado” (Jung, 1985, p.66). O complexo possui uma espécie de energia própria que lhe confere a tendência de formar uma pequena personalidade, ou seja, é um tônus que envolve certas reações fisiológicas, podendo perturbar, por exemplo, o batimento cardíaco. Assim, o complexo é relativamente autônomo, afirmando Jung que “[…] Tudo isso se explica pelo fato de a chamada unidade da consciência ser mera ilusão” (Jung, 1985, p.67).

Segundo a teoria junguiana a dissociação da personalidade ocorre, basicamente, devido à existência de complexos, e ter complexo é algo próprio do ser humano, ou seja, é normal, mas a incompatibilidade entre esses complexos e a consciência, dependendo do grau, pode estar na gênese de condições neuróticas e esquizofrênicas: “Os complexos divididos, por serem inconscientes, encontram meios indiretos de expressão, ou seja, através de sintomas neuróticos” (Jung, 1985, p.156). Por outro lado, se a separação entre a parte consciente e o conteúdo dos complexos for extremamente acentuado, “Se a fissura atingir a estrutura orgânica, a dissociação será uma psicose, uma condição esquizofrênica […]” (Jung, 1985, p.156).

 

Metodologia

Inicialmente, a equipe dividiu-se em dois grupos para a realização das visitas a um Hospital Psiquiátrico no estado do Ceará. Um aspecto positivo dessa divisão diz respeito à possibilidade de vivenciar momentos variados com a mesma pessoa, em um contexto diverso (no que se refere ao dia, ao momento, ao estado da paciente, entre outros), dessa forma, atentou-se para diferentes detalhes.

As visitas ocorreram nos dias 21 e 29 de junho de 2006, ambas ao pavilhão de internamento do hospital e durante o horário permitido para visitas à instituição, sendo uma realizada no turno da tarde e outra no turno da manhã.

A escolha da paciente para a realização do estudo ocorreu durante a primeira visita, admitindo-se como critério de escolha o fato da própria paciente iniciar o contato com o grupo. Por conta de mais de uma paciente ter se dirigido ao grupo, conversamos com duas em particular, mas, por questões metodológicas, decidimos por estudar um único caso. Preferimos não adotar uma investigação com base em entrevista formal, mas sim através de um diálogo que tinha como ponto de partida saber como se deu a chegada da paciente ao hospital.

Após o diálogo, foi realizada a leitura do prontuário da paciente. Realizamos as atividades nessa sequência, pois, na ocasião, pretendemos ter um contato inicial sem qualquer informação prévia sobre a paciente e, principalmente, com nossos olhares livres de um pensamento do tipo mosográfico, para em seguida avaliarmos os pontos de (dez) encontro entre o que obtemos através do diálogo e através do documento em questão.

No que se refere à segunda visita, o primeiro grupo informou para o segundo grupo o nome da paciente contatada, H., 25 anos, a fim de que tentassem um novo diálogo com a mesma e buscassem novas informações, impressões ou mesmo aspectos semelhantes aos já obtidos.

Finalizadas as etapas relacionada ao campo, a equipe voltou-se para a análise do diagnóstico psiquiátrico, relacionando-o com o diagnóstico psicológico, e para a formulação daquilo que acreditamos se aproximar de uma análise sob o enfoque da psicologia analítica.

 

O caso

Relato da paciente H.

Durante a primeira visita, H. veio ao encontro da equipe demostrando interesse em conversar. Já na segunta visita, a paciente disse que não estava com vontade de conversar e se afastou por estar chateada porque o médico não a tinha liberado para passar o fim de semana em casa. Porém, na medida em que a equipe iniciou a conversar com outras pessoas, ela se aproximou e disse que em vez de falar gostaria de cantar. Cantou duas músicas evangélicas e, em seguida, a equipe conseguiu dialogar, embora ela ainda não quisesse falar muito sobre determinados assuntos.

Fora esta especificidade, o discurso de H. foi bastante similar nas duas ocasiões, com a predominância de um discurso religioso (evangélico), supervalorizando Jesus e seus ensinamentos.

Afirmou estar ali porque tinha “passado mal” e o pai, em vez de levá-la para um posto de saúde, como ela havia requisitado, a internou no HSMM porque não gostava dela. Relatou que no dia 13 de junho estava “passando mal por dentro”, com “fraqueza no corpo” devido a um “problema espiritual”, a uma “coisa do inimigo”. Porém, em seguida, afirmou que “o inimigo está derrotado em nome de Jesus”. Não quis falar o motivo da fraqueza, disse que Jesus não queria que falasse sobre isso. “Não quero lembrar, o que passou, passou”.

Quando chegou ao hospital com o pai, disse que ficou cantando músicas de louvor e lendo a Bíblia na entrada da instituição. “Meu pai me trouxe pra cá só porque eu tava chorando, pensava que eu tava doida”. Afirmou estar realmente doente nas outras vezes em que foi internada, mas dessa vez não tinha problema algum, pois Jesus a tinha “livrado”. “Jesus me curou, ele disse que eu tô curada”. Questionada sobre como era esse “estar doente” nas outras vezes, respondeu não querer falar muito e se limitou a dizer que tinha depressão, ficava triste, não dormia à noite e não comia.

Insistimos mais algumas vezes em perguntar sobre o que ela sentia quando estava com “fraqueza”, ao que respondeu dizendo que via vultos, mas “que Jesus já derrubou por terra”, e que ouvia vozes chamando por ela e assutando, mas que “Jesus já tirou”. “Quero lembrar disso não. Era coisa ruim”. Disse que tais vozes não eram de Jesus, pois este ela escutava “em silêncio”.

Quanto ao pai, disse que este pensa que ela é “doida”. Demonstra muito rancor por ele a ter internado. “Ele vai pagar um preço por ter me trazido pra cá”. Informou-nos, também, que tinha dois irmãos e cinco irmãs.

Ao perguntarmos a respeito de sua mãe, não quis falar muito, dizendo apenas que não a via há muito tempo, pois seus pais eram separados. Começou a falar sobre seu filho, de três anos, descrevendo-o fisicamente e dizendo que sentia muita saudade dele. Não quis falar sobre o pai da criança (“Pra que falar de coisa triste?”), dizendo em seguida que ele era casado com outra.

Durante a primeira visita, H. portava uma sacola de plástico, onde guardava uma Bíblia (sua “arma de guerra”) e duas garrafas plásticas com água. Segundo ela, a água, que havia retirado da torneira, era “benta por Jesus”. Em todos esses objetos, bem como em sua roupa e em partes do seu corpo, havia escrito à caneta a palavra “Jesus” ou “Deus”. “Não largo Jesus por nada, fico direto agarrada com essa sacola”, disse H. Mostrou que dentro da Bíblia havia um prendedor de cabelo, o qual pertencia a outra pessoa, e disse que queria devolver o objeto pois só queria o que fosse dela.

Afirmou ter trabalhado como doméstica. Queixou-se da dona da residência em que trablahava, pois esta “reclamava de tudo” e não a deixava sair “para fazer as coisas de Deus”, por isso terminou por abandonar o emprego.

Quanto à medicação, disse por várias vezes que não precisa tomar, pois Jesus a tinha curado. Por outro lado, em outro momento, afirmou que Jesus queria que ela tomasse os remédios “pra cabeça” para vê-la melhor, por isso aceitava a medicação receitada no hospital. Além disso, ainda chegou a nos perguntar se achávamos que ela precisava tomar os remédios.

Durante a segunda visita, falou que gostava de assistir os jogos do Brasil durante a Copa do Mundo e que, inclusive, tinha acertado o placar do jogo Brasil versus Japão, enfatizando que ela mesma havia “determinado” que o Brasil iria ganhar.

A exemplo da primeira vez, falou muito a respeito de Jesus e sobre a Igreja que frequentava (Igreja Evangélica do amor de Deus, na Maraponga). A religiosidade se fazia muito forte e recorrente em seu discurso. “Todo mundo passa mal, né? Não tô doente, só preciso ir pra igreja”, disse H. Cantou algumas músicas evangélicas para a equipe e disse que precisava sair para ir à igreja cantar no coral do qual participava.

Sobre o hospital, disse que não gostava do lugar, pois só tinha “doido” e ela não era doida. “Tenho pena do povo daqui porque tão doente e abobado por causa do remédio”, disse-nos, afirmando que não ficava do mesmo jeito porque se “agarrava a Jesus”. Relatou sentir falta de “fazer algo”, que na terapia ocupacional só havia pintura e desenho e “isso é coisa de criança”.

História clínica

Na tentativa de analisar a história clínica da paciente, fizemos uso de seu prontuário, cedido pela equipe de enfermagem. Durante nossa leitura do mesmo, procuramos levantar o motivo da internação da paciente, o diagnóstico psiquiátrico do caso, bem como observar os sintomas e possíveis alterações de suas funções psicológicas.

Com o intuito de retratar o formato como se estrutura o prontuário, tentaremos adaptar o modelo do mesmo ao nosso trabalho, expondo, assim, a transcrição exata do documento em questão. Basicamente, o prontuário é formado por alguns documentos institucionais juntamente com o relatório diário sobre o comportamento da paciente, cada qual feito por um profissional diferente, em geral, assistentes sociais e, raramente, um médico psiquiatra.

Ao final do trabalho, segue em anexo o quadro psicopatológico com base no CID 10, no qual H. foi enquadrada por um psiquiatra comportamental, funcionário do hospital, para que possamos ter acesso a uma leitura das especificidades do transtorno em questão.

Prontuário

Nome da paciente: H., 25 anos.

Data da internação: 13/06/2006

Diagnóstico psiquiátrico de acordo com o Cid 10: F31- Transtorno afetivo bipolar.

Condição que justifica a internação: Risco para si.

A paciente foi internada involuntariamente.

Justificativa da involuntariedade: Fala da igreja cristã.

Principais sintomas: Logorréica, fuga do lar, pouco apetite, agressividade com a família; delírio de grandeza.

Durante as crises: Apresenta impulsos agressivos, insônia, agitação psicomotora, alucinação, fuga da família.

Dia 13: Esteve internada outras vezes, tem oito irmãs, há treze anos q têm os sintomas, tem uma irmã com problemas semelhantes: impulsos agressivos, insônia, alucinações, agitação psicomotora, empreende fuga do lar; em casa não colabora e não aceita medicação regularmente, pais separados há aproximadamente cinco anos, sem benefício junto ao INSS, é mantida pelo pai com renda de duzentos e oitenta reais, mora na Maraponga, possui filho de três anos, separada, estudou até a 4ª série. Momento de crise: confusa, exaltada, agressiva, aceitou medicação.

Dia 14: isolada, idéia de devoção, pouco comunicativa, delírios místicos (primeiro dia de medicação).

Dia 15: ansiosa, confusa, aceita medicação.

Dia 17: ansiosa, inquieta, momentos delirantes, crise de choro (medicada de urgência).

Dia 20: afirma que estudou até a 8ª série, se diz desempregada, quem lhe sustenta é a irmã, não é o pai porque ele não quer ter trabalho com ela, afirma ter outros internamentos (informações obtidas por uma assistente social através de uma conversa com a paciente). Momento de crise: alucinou, ouve vozes, vê vultos, anda muito, “não sou doente, é só fraqueza”, insiste em pedir licença no final de semana pra realizar obras de Deus, fala muito da igreja, escreve textos de referência a Deus e Jesus; fez uma lista com pedidos de objetos e frutos para ser repassada à irmã, e logo em seguida, pediu de volta, dizendo que, quando sair compra; “meu pai como sempre vai rir de mim”.

Medicação: Revectina (indicado para escabiose e piolho), Benzato de Benzila (escabiose), Haldol (antipsicótico), Depakene (estabilizador de humor), Fenergam (sedativo), Melleril 100 mg 1 cp (anti-psicótico), Vulprami (estabilizador de humor).

Para maior esclarecimento, apresentamos a seguir a definição dos sintomas registrados no prontuário da paciente H.. Com base no Glossário de termos psiquiátricos clássicos (Martins, 2003), temos o seguinte.

Logorréia: Aumento exagerado do ritmo da fala. Trata-se de um fluxo incessante e incoercível de palavras emitidas sem coesão lógica, que se acompanha da aceleração do ritmo psíquico e da elevação do estado de ânimo. É comum em todas as excitações psicomotoras, principalmente nos estado maníacos e hipomaníacos e na embriaguez alcoólica.

Fuga: Estado em que se observa um impulso motor irresistível de escapar (no caso, do lar), fugir, vaguear, com a consciência obnubilada.

Hiporexia: diminuição do apetite.

Delírio: São juízos infundados que ocorrem ao indivíduo, que os vivencia como verdades incontestáveis e retira delas consequências. São desordens primárias do juízo, isto é, que não se podem deduzir de outras experiências, nem racionais nem emocionais. Por isso, os paciente são capazes de discorrer com uma lógica impecável que é, portanto, consonante com a falsidade que lhe serve de ponto de partida. A premissa é falsa, mas o raciocínio a partir desse princípio falso é perfeitamente coerente. São reconhecidos alguns sinais exteriores do delírio segundo Jaspers: a convicção extraordinária com a qual são mantidos tais juízos, com uma certeza subjetiva notável; a impermeabilidade a experiências e refutações lógicas; a inverosimilhança do conteúdo; tem um caráter central, tornando-se o eixo da vida, das preocupações do indivíduo.

Agitação psicomotora: estado ou paroxismo motor intenso. Pode ser dirigida (no caso, para a família), associada com episódio agressivo violento, ou desorganizada.

 

Psicopatologia e análise do caso

O materialismo dominante no final do século XX muito influenciou a teoria psiquiátrica, considerando as doenças mentais como resultantes de alterações de origem cerebrais e apontando os casos de neurose como “intoxicações no metabolismo ou distúrbios das secreções internas” (Jung, 1986). Janet, com as experiências da psicopatologia francesa, juntamente com o auxílio de Forel e Freud (Alemanha), contribuiu para a ruptura com as idéias referentes às causas orgânicas das neuroses. Atualmente leva-se em consideração, indubitavelmente, o fundamento psicogênico das neuroses, embora, a questão da psicogênese relativa a outras doenças mentais seja questionável e não claramente observada.

Psicogênese significa “causa essencial de uma neurose, ou a condição em que ela irrompe, é de natureza psíquica. Pode ser um choque psíquico, um conflito desgastante, uma adaptação psíquica errônea ou uma ilusão fatal” (Jung, 1986, p.213).

Jung denomina para os casos de psicose a esquizofrenia e a paranóia. A esquizofrenia constitui o que o público leigo a denomina como “loucos”. Seria a constituição do que é nomeado de doença mental, apresentando grande número de casos que são atendidos nas clínicas. A esquizofrenia possui causa e fim psíquicos, tal qual ocorre na vida mental de uma pessoa dita normal. A diferença marcante, porém, é que para a pessoa normal, o eu é o próprio sujeito da experiência, enquanto no esquizofrênico , o eu sofre uma fragmentação em que passa a coexistir uma variedade de sujeitos, de funcionamento autônomo (Jung, 1986).

A paranóia (Jung, 1986), classicamente considerada mania de perseguição, constitui o caso mais simplificado de fragmentação da personalidade. Ocorre uma espécie da duplicação da personalidade, mas em que os “eus” conseguem se relacionar entre si, mantendo uma certa identidade entre eles.

Jung (1986) destaca a importância da psicogênese como fator fundante para os distúrbios mentais, considerando as alterações cerebrais que , porventura existam, como fenômenos de grau secundário, embora as questões relativas à base orgânica continuem em profunda discussão.

Ao falar da psicogênese da esquizofrenia, que será utilizada por Jung, para ilustrar de forma geral o quadro da psicose, faz-se necessário falar do conceito proposto por Pierre Janet de “abaissement du niveau mental”, o que significaria uma redução do nível mental consciente. Tomando-se a força de vontade como a que dirige a vida psíquica, o conceito de “abaissement” explica “o estado psíquico em que uma seqüência de pensamentos não é capaz de alcançar um desencadeamento lógico, ou é interrompida por conteúdos estranhos que não foram suficientemente inibidos” (Jung, 1986, p.220). Esse conceito referido por Janet corresponderia aos sintomas caracterizados como primários, fundalmentalmente psíquicos, como dito por Bleuler.

A partir dos testes de associação (como já dito anteriormente) aplicados aos neuróticos, pode-se observar o quanto os processos normais de associação se encontram perturbados por conteúdos complexos, desconhecidos, que invadem a consciência, o que caracteriza a reduçaõ do nível mental. A dissociação pode ser tão forte ao ponto de serem criadas personalidades secundárias, cada uma delas dotada de autonomia, de consciência própria. Deve-se destacar, portanto, a diferença existente entre a neurose e a psicose. No caso da neurose há uma preservação da “unidade potencial da personalidade” (Jung, 1986, p.220). Já na esquizofrenia, “a ligação entre o eu e os demais complexos se encontra, às vezes mais, às vezes menos, inteiramente rompida. A cisão não é relativa e sim absoluta” (Jung, 1986, p.221). Na neurose, os complexos se comportam de forma relativamente autônoma, enquanto na esquizofrenia, os complexos se separam tais quais fragmentos independentes e autônomos, não se reitegrando à unidade psíquica, ou se interligando de forma desconexa e inesperada. A dissociação é, portanto, muito mais grave do que a ocorrida na neurose, constituindo, geralmente, um quadro irreversível.

A totalidade psíquica, na esquizofrenia, através do “abaissement”, se esfacela, como um espelho partido, em que cada complexo constituirá uma personalidade individual. O complexo de eu se despotencializa, passando a ser apenas um dos vários complexos a existirem simultaneamente.

As figuras cindidas possuem nomes e características banais, grotescas, caricaturais, e, em muitos aspectos, contestáveis. Além, disso, não colaboram com a consciência do paciente. […] intrometem-se e perturbam o tempo inteiro, atormentando o eu de inúmeras maneiras. […] Trata-se visivelmente de um caso de visões, vozes e tipos desconexos, todos de natureza violenta, estranha e incompreensível […] (Jung, 1986, p.221).

Na redução do nível mental, a autonomia dos fragmentos cindidos fogem ao controle do eu, restringindo sua responsabilidade para uma adequada atuação. O limiar da consciência reduz-se ao ponto de permitir que conteúdos inconscientes invadam, de forma autônoma, a esfera consciente. Com isso, ocorrem reações de caráter emocional inadequadas, provocando idéias incompletas da realidade.

Quanto ao caso clínico de H., percebe-se que a exacerbação do discurso religioso e o fato de Jesus “falar” e pedir para que ela tome o remédio adequadamente, possibilita que haja uma certa adaptação, mesmo que muito fragilizada, nos momentos de não surto. Para ela, Jesus a curou e a livrou de todo o passado. “O inimigo está derrotado em nome de Jesus Cristo” e isto a permite aceitar a medicação, embora não admita estar doente. Este fato a assegura de não estar freqüentemente em situação de surto. A repressão de conteúdos, porém a deixa na iminência de sua ocorrência, o que pode ser verificado pela alteração profunda do humor quando impedida pelos médicos de retornar ao lar. Neste momento, assim como quando a indagamos sobre determinados aspectos de sua história de vida, como sua “fraqueza”, sua mãe e o pai do seu filho, ela mostra-se profundamente afetada, ocorrendo, assim, uma invasão de conteúdos que não podem ser mais barrados conscientemente, tocando-se, portanto, nos complexos de tonalidade afetiva.

Pode-se observar uma constante alteração no discurso de H., embora haja uma certa coerência com o que foi relatado nas duas visitas realizadas pelo grupo e com o que consta no prontuário do hospital. Como foi dito em relação à psicose, a dissociação ocorre como a coexistência de diversos “eus” sem conexão entre si, cindindo o centro da personalidade do indivíduo. O discurso de H. aparentava conter outros eus existindo concomitantemente, como se uma parte dela não fosse reconhecida como pertencente a sua personalidade central.

Vale ressaltar, que a terminologia empregada no prontuário do hospital – Transtorno afetivo bipolar – não é utilizada por Jung. Em sua teoria, interessa-se por explicar o funcionamento psíquico da psicose. Considera o quão forte é a dissociação, como ocorre a cisão da personalidade do indivíduo empregando, assim, o termo esquizofrenia para representar os casos mais gerais relativos á psicose.

Com base no exposto, tentamos compreender aspectos do diagnóstico psiquiátrico de H. tentando-se uma aproximação com o que seria uma análise psicológica. Primeiramente, devemos salientar que Jung, recusava-se a explicar o normal tomando por base o patológico. Não tratava diretamente de uma psicopatologia, mas sim de uma psicologia geral que levasse em consideração o material patológico (Jung, 1985). Dessa forma esforçou-se por remover sua psicologia do campo do estritamente patológico, por considerar a pessoa normal bem mais valiosa e interessante (Jung, 1999).

No contato com H., logo de início percebemos uma exacerbação da temática religiosa em seu discurso. Quando perguntamos sobre o motivo de sua internação, H. disse ter sentido uma “fraqueza”. Quando tentávamos aprofundar essa questão, H. dizia ouvir vozes e “ver coisas”, sem dizer exatamente do que se tratavam esses fenômenos. Recorria sempre à fuga por meio do discurso “Não quero falar sobre isso […] Isso era coisa do inimigo […] Jesus me curou”.

Nesse sentido, podemos fazer referência à concepção medieval da psicopatologia, caracterizada pela visão da loucura como uma possessão da pessoa pelo diabo. Sobre isso, Beauschesne (1989, p. 95) esclarece: “As formas de loucura que implicam geralmente o delírio, como a mania e a melancolia, podem resultar da ação direta do demônio, ou de ação imediata por maquinações de qualquer bruxa”.

Dessa forma, acreditava-se que o demônio se alojava no corpo da pessoa, principalmente na cabeça, o que era definido como possessão, ou pensava-se, frequentemente, que o diabo perseguia a vítima, alterando suas percepções, emoções, sentimentos, visões, entre outras coisas (Beauschesne, 1989). Assim, podemos ver certa semelhança entre tal concepção e o discurso de H., uma vez que a paciente garante ouvir vozes do “inimigo” nos estados de crise, a qual afirma se tratarem de “momentos de fraqueza”, dizendo ter sido Deus quem a salvou, portanto, curou.

A psicose, para Jung (1986), apresenta tanto conteúdos de caráter pessoal quanto de caráter coletivo, sendo, nesses últimos, verificados a enorme presença de símbolos coletivos. Partindo desse olhar, percebemos a recorrência (repetição), no discurso de H., da experiência religiosa. Sem perdermos de vista a singularidade da experiência de H., podemos inferir que tais conteúdos místicos são de caráter coletivo. Essa temática, inclusive, é recorrente não só em H., mas em grande parte das mulheres em situação de internamento no pavilhão do Hospital.

A esse respeito, Jung (1986) diz: “De fato, o doente mental sempre gostou do privilégio de ser um possuído pelos espíritos ou perseguido por um demônio”, pois seu estado psíquico é mesmo invadido por fisionomias e formas de pensamento autônomo. Podemos assim fazer referência às vezes em que H. diz que Jesus falava com ela: “Eu escuto Jesus em silêncio”, bem como sobre a ocasião em que disse ter visto Jesus: “Vi uma fumaça branca e senti uma coisa boa […] era Jesus”.

Sobre o ponto de vista do primitivo, é bem claro que o inconsciente se apoderou do eu, através de seus próprios impulsos. Sendo assim, não é o eu que enfraquece mas o inconsciente que se fortalece com a presença do demônio. O primitivo, portanto, não busca a causa do distúrbio mental num enfraquecimento primário da consciência mas no fortalecimento extraordinário do inconsciente. (Jung, 1986, p.228)

Ainda sobre a experiência religiosa, durante a conversa com H., esta segurava em mãos uma sacola contendo duas garrafas plásticas e uma Bíblia: “Não largo Jesus por nada, fico direto agarrada com essa sacola”. Disso podemos inferir que tais objetos serviam como uma forma simbólica de concretizar Jesus. Faz parte ainda de suas fantasias o fato de H. dizer que a água (que ela tirou da torneira do pavilhão) de suas garrafas foi abençoada por Jesus. A ausência de um intermediário (como um padre, um pastor, alguma figura representativa) para concretizar tal benção fez-nos pensar em tal afirmativa como algo não muito comum.

Jung (1985) aponta que “estar louco é uma concepção extremamente relativa”. Assim, pensamos que, em outro contexto, tais comportamentos de H. poderiam ser aceitos como algo natural, sendo ela considerada apenas alguém muito religiosa. Dessa forma, ainda que exista um funcionamento psíquico “anormal”, provém da sociedade a designação de quem é ou não louco: “Usamos restrições e convenções sociais a fim de reconhecermos desequilíbrios mentais” (Jung, 1985).

 

Considerações finais

No que se refere à questão dos diagnósticos psiquiátrico e psicológico, Jung considerava que a anamnese psiquiátrica se caracteriza por uma visão médica unilateral a respeito do problema de um paciente por não possuir o conhecimento psicológico necessário à análise do caso. “A maioria dos sintomas é determinada psicologicamente sob a influência de fatores psíquicos ou relacionados a eles” (Jung, 1985). Assim, considerava a classificação nosográfica insuficiente por negligenciar as especificidades de cada caso.

Ressaltava também (Jung, 1985) que o próprio diagnóstico psicológico não resolve em definitivo o conflito do sujeito, apenas proporciona certa orientação, não sendo capaz de compreender completamente o que afeta o indivíduo, ou seja, é eficiente na descrição, porém insuficiente na terapêutica. Desta forma, para Jung (1999), diagnosticar não significa declarar alguém patológico, mas significa conhecer as características de um determinado estado psicológico.

Análise não é apenas “diagnóstico”, mas antes é compreensão e suporte moral no esforço e experiência honestos que chamamos “vida”. Nunca podemos saber melhor ou de antemão o que afeta o indivíduo. Só podemos ajudar a pessoa a se compreender a si mesma, a tomar coragem para a tentativa e o desafio. (Jung, 1999, p. 62-63)

Desse modo, Jung (1985) defendia que o terapeuta deve se esforçar para não fechar sua compreensão em torno do que sabe, até então, a respeito do paciente, mas lhe dar uma chance em aberto para que este apresente seu material com maior liberdade. Jung (1985) dava importância ao relato do paciente por considerar a continuidade inerente à estrutura psíquica do indivíduo.

Ao final dessa análise, compreendemos ser muito complicado inferir sobre o quadro clínico de uma pessoa. Antes de tudo, porque, partindo de um constructo teórico complexo como a psicologia analítica, seria fundamental uma apropriação teórica de maior profundidade por parte da equipe. Além disso, vemos como extremamente importante um período que possibilitasse maior aproximação com a paciente em questão.

Refletindo sobre possibilidades de tratamento que fossem além do uso de medicação, pensamos em uma terapêutica focalizada no relato e na história de vida do paciente, bem como um método de análise através dos sonhos, via eficaz para o acesso dos conteúdos inconscientes. Segundo Jung (2006), “O ponto decisivo é a questão da ‘história’ do doente, pois revela o fundo humano, o sofrimento humano e somente aí pode intervir a terapia do médico”.

Se tomarmos por base os estudos de caso realizados pelo próprio Jung, veremos uma grande disparidade entre a análise por ele desenvolvida, caracterizada por um processo extenso e repleto de conexões com outros estudos, e o presente trabalho. Este, na verdade, trata-se de um possível caminho na formulação do que acreditamos se aproximar de uma análise sob o enfoque da psicologia analítica.

O fato decisivo é que, enquanto ser humano, encontro-me diante de um outro ser humano. A análise é um diálogo que tem necessidade de dois interlocutores. O analista e o doente se encontram face a face, olhos nos olhos. O médico tem alguma coisa a dizer, mas o doente também (Jung, 2006).

Referências

Beauchesne, H. (1989) As origens da psicopatologia. In: H. História da psicopatologia. São Paulo: Martins Fontes.

Jung, C. G. (1982). Áion: Estudos sobre o simbolismo do si-mesmo. Petrópolis: Vozes. v.IX/2.

Jung, C. G. (1984). O eu e o inconsciente. 4.ed.Petrópolis: Vozes. v.VII/2.

Jung, C. G. (1985). Fundamentos de psicologia analítica. 3.ed. Petrópolis: Vozes. v.XVIII/1.

Jung, C. G. (1985). A prática da psicoterapia. 2.ed. Petrópolis: Vozes. v.XVI/1.         [ Links ]

Jung, C. G. (1986). Psicogênese das doenças mentais. Petrópolis: Vozes. v.III.

Jung, C. G. (1994). Estudos psiquiátricos. Petrópolis: Vozes. v.I.

Jung, C. G. (1999). Cartas. Tradução Edgar Orth. Petropolis: Vozes.

Jung, C. G. (2006). Memórias, sonhos e reflexões. 1.ed. especial. Rio de Janeiro: Nova Fronteira.

Martins, F. (2003). Psicopatologia II – semiologia clínica: Investigação teórico-clínica das síndromes psicopatológicas clássicas. Brasília: ABRAFIPP/Laboratório de Psicanálise e Psicopatologia, UnB.

Silveira, N. (1981). Jung: Vida e obra. 12.ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra.

 

Quanto menos você dorme, mais seu cérebro envelhece!

Pesquisadores da Duke-NUS (Escola de Graduação Médica de Singapura) concluíram que quanto menos adultos mais velhos dormem, mais rápido seus cérebros envelhecem.

Eles queriam estudar o alargamento do ventrículo cerebral. O alargamento rápido do ventrículo é um marcador de declínio cognitivo e do desenvolvimento de doenças neurodegenerativas, como a doença de Alzheimer, mas os efeitos do sono sobre este marcador nunca tinham sido medidos.

O estudo analisou os dados de 66 adultos mais velhos chineses. Os participantes passaram por exames cerebrais de ressonância magnética estrutural para medir o volume do seu cérebro e por avaliações neuropsicológicas para testar sua função cognitiva a cada dois anos. Além disso, a duração do sono de cada um foi registrada através de um questionário.

Aqueles que dormiam menos horas mostraram evidências de rápido aumento do ventrículo, e consequentemente declínio no desempenho cognitivo.

Nossos resultados relacionam sono curto como um marcador do envelhecimento do cérebro”, disse a Dra. June Lo, principal autora da pesquisa.

Dormir mal definitivamente não é um bom negócio. Outros estudos já mostraram que falta de sono na infância pode atrasar a puberdade, e que o sono é essencial para fixar nossa memória (e com isso consolidar aprendizados).

Além disso, más noites de sono nos levam a comer mais e pioram nosso humor.

Agora, sabemos também que dormir bem pode ajudar a manter o cérebro saudável.

O trabalho realizado sugere que cerca de sete horas (de sono) por dia para os adultos parece ser o ideal para um ótimo desempenho em testes cognitivos. Nos próximos anos, esperamos determinar o que é bom para saúde cardiometabólica a longo prazo também”, acrescentou o professor Michael Chee, que também participou do estudo.

Dramas e vitimizações não me comovem, apenas tiram a minha paciência

Algumas pessoas levam os dramas e vitimizações muito a sério, acreditam que se fizerem o papel de vítimas das circunstâncias conseguirão a pena de todos aqueles ao seu redor e poderão crescer sem precisar se esforçar ou fazer a sua parte.

Eu realmente acredito que agir dessa maneira traz o resultado oposto do que o desejado. As pessoas podem até se comover com a sua situação por um momento, mas o fato é que todos nós temos que batalhar duro demais para conquistarmos as coisas que desejamos na vida e ninguém quer ficar entregando tudo de mão beijada para outra pessoa.

Dramas não levam ninguém muito longe na vida. Pelo contrário, apenas fazem com que as pessoas nos enxerguem pessoas dependentes das migalhas de outras para sobreviver.

Eu não me sinto comovido com dramas, na verdade eles apenas me fazem perder a paciência, porque uma pessoa que realmente deseja vencer na vida, faz a sua parte, reclama menos e age mais, mostra que está disposta a enfrentar o que for necessário para chegar onde realmente deseja.

Existem pessoas que realmente estão passando por situações complicadas e precisam conversar um pouco sobre seus problemas, desabafar e aliviar o peso no coração, mas a grande maioria apenas não quer se mover de onde está, e isso é realmente decepcionante.

A vida oferece oportunidades para todos nós crescermos, encontrarmos o nosso caminho e nos aliarmos a pessoas que podem nos ajudar a chegar mais perto de nossos objetivos.

Inteligência Emocional e Autoconhecimento

O autoconhecimento é a habilidade de ouvir a si mesmo, conhecendo seus medos, angústias e suas potencialidades.

A pessoa que se conhece não se apavora facilmente em situações incomuns e sabe lidar com a diversidade. Esses são alguns dos motivos pelos quais as empresas estão buscando contratar pessoas seguras de si, com autoconhecimento desenvolvido.

Nesse texto vamos listar os benefícios que o autoconhecimento gera, bem como as facilidades e o papel do acompanhamento psicológico na sua conquista. Confira.

O que o autoconhecimento permite

O autoconhecimento é a tomada de consciência do indivíduo a respeito de si mesmo. Sem se conhecer, as pessoas vivem na ignorância de suas potencialidades e deixam passar grandes oportunidades por medo ou falta de confiança nas suas capacidades.

Junto ao desenvolvimento do conhecimento pessoal, estão também a busca pela autoeducação e pela autoaceitação.

Através do exercício de autoconhecimento é possível:

  • Olhar para si próprias como realmente são, ao invés de como os outros as veem.
  • Ouvir seus desejos e vontades, sendo capaz de expressá-los. Isso é, não fazem algo por obrigação.
  • Reconhecer seus objetivos de vida, sendo capaz de lutar para que eles se concretizem.
  • Conhecer seu real valor, diminuindo o medo de ser incapaz.
  • Ser livre para ser quem realmente é, sem a necessidade de fingir ou omitir algo.
  • Diminuir a expectativa em relação às outras pessoas, reduzindo também a possibilidade de frustrações.
  • Estar aberto para conhecer, sem ter a necessidade de julgar.

O encontro com a felicidade

As pessoas que vivem em plenitude são aquelas que conhecem seus poderes e seus talentos. A felicidade pode ser encontrada com o equilíbrio entre as experiências internas e as experiências com outras pessoas.

É necessário ter momentos de solidão para poder refletir sobre a vida e estar focado unicamente no interior, ou seja, buscando entender suas próprias emoções e sentimentos.

As pessoas que reservam um tempo para si costumam saber aproveitar melhor os momentos vividos com outras pessoas, compartilham ideias e ouvem atentamente os outros, buscam entender terceiros ao invés de julgá-las.

E isso faz com que elas estejam presentes em cada momento.

O papel do psicólogo nessa jornada

O psicólogo é uma peça chave na construção do autoconhecimento. Ele é capaz de fazer as perguntas certas nos momentos adequados para que você aprofunde cada vez mais o conhecimento próprio.

Nas sessões de terapia, é possível se libertar de medos criados no passado e até mesmo entender a formação do seu caráter, dos seus valores e do que você entende como certo ou errado.

Pessoas com o autoconhecimento bem desenvolvido são, na verdade, pessoas que estão em harmonia interna e externamente.

Elas são mais centradas em fazerem o que realmente as faz bem, pois se conhecem o suficiente para saberem o que querem. A jornada de autoconhecimento é longa e necessita muita dedicação, e a ajuda de um psicólogo facilita e acelera esse caminho.